São Paulo - Morreu ontem, em São Paulo, o empresário Sérgio Gomes, emblemático personagem do assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel (PT), em janeiro de 2002 - o Ministério Público do Estado o acusava de ser o mandante do crime. Conhecido como Sombra, ele lutava contra um câncer há alguns anos. Seu advogado, o criminalista Roberto Podval, confirmou a informação sobre a morte de Sombra. Ele estava internado no Hospital Monte Magno, na Vila Formosa. Sombra nunca admitiu envolvimento na morte brutal do prefeito, de quem era amigo e foi assessor.
Em novembro de 2015, Sombra foi condenado a 15 anos, seis meses e 19 dias de reclusão, em regime fechado, acusado de liderar esquema de cobrança de propinas de empresas de transporte contratadas pela Prefeitura na gestão do petista. Sombra nunca foi levado a júri popular pela morte de Celso Daniel. O Supremo Tribunal Federal anulou a ação contra ele porque o juiz do caso, em Itapecerica da Serra, não permitiu que as defesas dos outros acusados fizessem perguntas na fase dos interrogatórios. Sombra ficou sete meses preso em caráter preventivo - no processo sobre a morte de Celso Daniel -, até que o Supremo lhe devolveu a liberdade. Outros seis acusados do crime foram condenados pelo júri popular. Eles confessaram o assassinato.
Paralelamente às investigações sobre a execução de Celso Daniel, o Ministério Público promoveu uma devassa na administração do petista. A Promotoria afirma que Sombra planejou o assassinato quando Celso Daniel decidiu dar um fim na rede de propinas. Um irmão de Celso Daniel, o oftalmologista João Francisco Daniel, apontou o suposto envolvimento do ex-ministro José Dirceu na arrecadação de valores ilícitos para abastecer o partido - então presidido pelo próprio Dirceu.
Roberto Podval disse que esteve com Sombra há 30 dias. "Ele estava feliz, apesar da doença, porque o Supremo anulou a ação contra ele. Uma coisa que o afligia era essa acusação de ter sido o mandante da morte do Celso. Ele nunca admitiu isso porque não teve envolvimento no crime. Lembro-me bem daquela frase dele. 'Podval, vou morrer inocente'. Ele estava feliz."