| Malavoalta Jr. |
![]() |
| Ao saberem da reintegração, manifestantes sentaram em frente à prefeitura e fizeram cordão de isolamento |
| Alex Mita |
![]() |
| Ocupação: os manifestantes tomaram o prédio da Prefeitura de Bauru, nessa terça-feira (27) de manhã |
Durou 12 horas a ocupação dos cerca de 600 manifestantes que tomaram o Palácio das Cerejeiras, nessa terça-feira (27), para reivindicar atuação mais célere e incisiva do prefeito Rodrigo Agostinho para que as 3 mil famílias que integram o Movimento Social de Luta (MSL) em Bauru tenham garantia de moradia digna.
Em razão do protesto, não houve expediente na sede da Prefeitura, que só foi esvaziada após decisão judicial que impôs reintegração de posse do imóvel. Com a promessa de participarem de uma reunião com o prefeito na Superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em São Paulo na sexta-feira, eles acataram a ordem. O movimento, ao longo de todo o dia, foi pacífico.
Os integrantes do MSL estavam acampados na Praça das Cerejeiras desde domingo (25) à noite. Sem obter respostas concretas do governo, decidiram, por volta das 6h dessa terça-feira (27), ocupar o saguão do prédio municipal, que fica no piso térreo. Trata-se do segundo ato do MSL em menos de um mês.
O movimento afirma que a ocupação contou com a participação de 600 pessoas, embora a PM tenha estimado 300. Durante toda a manhã, o chefe de gabinete, Arnaldo Ribeiro, e o titular da Secretaria da Agricultura, Chico Maia, tentaram negociar a desocupação com os líderes do grupo. No entanto, as negociações não avançaram e as discussões foram encerradas sem acordo.
Como os sem-terra permaneceram no local, a prefeitura recorreu à Justiça. Quando souberam do pedido de reintegração de posse, na hora do almoço, os integrantes prometeram resistir ao cumprimento da liminar e o clima ficou tenso.
“Não vamos sair. Quero ver se vão agredir mulheres e crianças”, chegou a declarar o líder Márcio Rodrigo Alves de Oliveira. Mais tarde, por volta das 14h30, o grupo fez nova reunião, de onde partiu a orientação para que ninguém reagisse a uma eventual ação da PM. Porém, a recomendação era para que todos permanecessem sentados na entrada do prédio, mesmo após o pedido de desocupação. Em seguida, rezaram o Pai Nosso.
Reintegração
Por volta das 16h, a juíza Ana Lúcia Graça Lima Aiello, da 1.ª Vara da Fazenda Pública de Bauru, concedeu a liminar, determinando a reintegração de posse imediata do imóvel, sob pena de multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento. Ao saberem da decisão, os integrantes passaram a proferir palavras de ordem. Mulheres – algumas grávidas - e crianças ficaram posicionadas na frente do grupo.
Às 17h45, o oficial de Justiça Roberval Soares chegou ao local, acompanhado do tenente da PM José Sérgio de Souza. Após breve diálogo com a liderança do movimento, ambos entraram de maneira totalmente pacífica no piso térreo do prédio, acompanhados de jornalistas e de representantes da prefeitura.
Reunião com o Incra
Após o MSL ser comunicado sobre a ordem judicial, Chico Maia esclareceu que uma reunião foi viabilizada para as 11h de sexta, em São Paulo, com o superintendente estadual do Incra, Alexandre Pereira, em que membros do MSL e Rodrigo Agostinho poderão discutir saídas para atender às reivindicações dos manifestantes. De acordo com Márcio Oliveira, líder do movimento, o grupo decidiu dar “uma segunda chance” ao prefeito.
“Somos um movimento pacífico e não vamos desrespeitar a lei. Mas, se o prefeito não comparecer à reunião, o que seria muito descaso com estas famílias bauruenses, vamos voltar e ocupar prédios de algumas secretarias municipais”, adianta. Por volta das 18h, os manifestantes iniciaram a limpeza e desocupação do prédio, com a desmontagem das barracas que estavam na Praça das Cerejeiras e retirada de colchões e fogões, entre outros itens.
Socorridos
No decorrer da ocupação, ao menos dez pessoas sentiram-se mal em razão do calor dentro do saguão da prefeitura. Três mulheres precisaram ser socorridas pelo Samu até unidades de saúde da cidade.

