Tribuna do Leitor

Cemitério da Saudade

Karina Achôa Berriel
| Tempo de leitura: 2 min

No último dia 29 de agosto, infelizmente, enterramos meu pai Salim Achôa (91 anos). Morador da cidade há quase oito décadas, enterrou todos os seus familiares aí neste cemitério; seus pais no mesmo jazigo no Cemitério da Saudade onde seu corpo está agora. Local tradicional da cidade, onde muitas famílias bauruenses enterram seus mortos, como última homenagem. Confesso que não voltava a este cemitério há mais de vinte anos, mas tinha uma lembrança de um local aprazível para o que é; cumprindo seu papel de receber, acolher os mortos e seus familiares quando em visita. Toda a tratativa do enterro foi feita logo na entrada, no escritório do cemitério. O jazigo da família esta localizado na parte lateral, com entrada na rua debaixo. Internamente o acesso é por uma escada larga, sem apoio para descer ou subir. Na hora marcada para o enterro, o carro funerário estacionou no portão de entrada lateral e tivemos a impressão de estar entrando num pesadelo!


O descuido com o cemitério era gritante. Meia dúzia de funcionários aguardavam junto ao jazigo que distava a meia quadra do portão. O piso totalmente irregular e abolado do centro para os cantos das calçadas era coberto por uma quantidade enorme de folhas secas, que encobriam principalmente as beiradas. Caso houvesse algum buraco, as pessoas corriam o risco de cair, sem poder ver onde pisavam e o que havia abaixo das folhas acumuladas. Num piso como este, mesmo que houvesse um carrinho para transportar o caixão, este não conseguiria trafegar. Mas não havia e muitos dos nossos queridos amigos e parentes o carregaram com amor, mas essa deveria ser uma opção e não uma obrigação por falta de infraestrutura num Serviço Municipal a cargo da Emdurb.


As paredes ao fundo, bem como a escada que dá acesso ao piso superior, estão totalmente descascadas e deterioradas. Se os jazigos estão conservados pelas famílias, o mesmo não acontece com o cemitério. Foram muitas perguntas constrangedoras que me fiz naquele momento tão doloroso: o que fazem os funcionários que não cuidam da limpeza, da manutenção e do local enquanto não há enterros? Quem os coordena? Quem é responsável por isso? E mais, no momento do enterro fomos chamados a pagar por “um serviço extra”, criando uma situação ao menos muito constrangedora.


Sei bem que existem problemas maiores na cidade como o da saúde, segurança e outros tantos, mas a eficiência num serviço que já conta com funcionários e cobra taxas para isso deveria no mínimo cumprir seu papel.

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