Brasília - O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes rebateu ontem o ex-presidente da Corte Ricardo Lewandowski e afirmou que "o único tropeço" no processo de impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff foi a realização de uma votação fatiada durante o julgamento no Senado.
Lewandowski, que comandou o julgamento de Dilma no Senado, lamentou o processo de impeachment e classificou o episódio como "um tropeço na democracia". O comentário foi feito durante uma de suas aulas na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). "Acho que o único tropeço que houve foi aquele do fatiamento, o DVS (destaque para votação em separado) da própria Constituição, no qual teve contribuição decisiva o presidente do Supremo", afirmou Gilmar, ao analisar a conduta do então presidente do STF na condução do impeachment.
Durante o julgamento do impeachment da ex-presidente, no fim de agosto, Lewandowski provocou polêmica ao aceitar fatiar a votação. Com a decisão, o Senado decidiu cassar o mandato de Dilma, mas manteve os direitos políticos da petista. A votação em separado ocorreu porque senadores aliados de Dilma apresentaram destaque no plenário, antes do início da votação, pedindo para que o impeachment e a inabilitação para assumir funções públicas por 8 anos fossem analisadas em etapas diferentes.
Após a decisão dos senadores, 11 mandados de segurança foram protocolados no Supremo contra o fatiamento. Durante uma aula na Faculdade de Direito da USP, onde leciona Teoria do Estado, Lewandowski criticou o modelo de presidencialismo de coalizão, que considerou ser fruto da Constituição Federal. "Deu no que deu. Nesse impeachment a que todos assistiram e devem ter a sua opinião sobre ele. Mas encerra exatamente um ciclo, daqueles aos quais eu me referia, a cada 25, 30 anos no Brasil, nós temos um tropeço na nossa democracia. Quem sabe vocês, jovens, consigam mudar o rumo da história", afirmou Lewandowski.