Tribuna do Leitor

Duas rodas, liberdade?

Demerval Assis da Silva
| Tempo de leitura: 1 min

Outro dia (22/08), aqui no Jornal da Cidade, li matéria (Luísa Leite) com dados do livro de Eduardo Alcântara Vasconcellos, mestre e dr. da USP, sobre o assombroso número das vítimas em motocicletas. Números esses que podemos ter uma noção nas tragédias quase que diárias em Bauru e região, ceifando vidas, em sua maioria jovens.

Porque, diferente das estatísticas do livro do escritor doutor, só vêm à tona quando se consideram os óbitos, e não o grande número de inválidos dessas tragédias urbanas no trânsito. Iludidos usuários de moto, com a economia de tempo e de combustível e de uma falsa liberdade, muitos que escaparam da morte hoje têm os movimentos limitados em cadeiras de roda, ou quando o membro atingido é a cabeça, deixam sequelas irreparáveis.

Sei que tanto o livro do dr. Eduardo como estas considerações poderão surtir pouco efeito, pois são teorias, os fatos não são vistos por todos, e, se vistos, logo esquecidos, salvo quando se sente a dor na própria pele. Os jovens são ousados, tendo que acontecer o pior para em se havendo segundas oportunidades serem tomadas outras atitudes.

E mesmo levando-se em consideração o poder da indústria de motocicleta, os danos causados à população deveriam ser levados em conta em campanhas públicas e esclarecimentos, com dados sobre os perigos aumentados no trânsito quando se está em cima de uma motocicleta.

Que o mito da liberdade é facilmente derrubado nos números do Samu e do Resgate do Corpo de Bombeiros, que atendem às vítimas dos acidentados, e da economia burra de tempo e de dinheiro.

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