Brasília - O presidente Michel Temer defendeu ontem a reforma do ensino médio proposta pelo governo federal na semana passada. Segundo ele, o projeto foi bem aceito pela sociedade, com apenas "uma ou outra voz dissonante".
Temer disse ainda que o governo toma medidas ousadas "porque a falta de ousadia se converte em covardia". As declarações foram dadas durante evento em São Paulo.
A reforma tem sido criticada por parte dos especialistas, principalmente por ser feita via medida provisória (MP). A queixa é de que esse processo vai impedir debate mais profundo.
"Isso já vinha sendo discutido no Congresso durante cinco, seis anos, e também em vários fóruns educacionais", rebateu Temer. Um projeto de lei que reformava o ensino médio tramitava no Congresso desde 2013, mas o governo optou pela MP.
A proposta torna a maioria das disciplinas obrigatórias só na primeira metade do ensino médio. Segundo Temer, o currículo flexível já existe em outros países e também já foi feito no Brasil, quando o colegial era dividido em clássico e científico.
"É interessante como no Brasil as coisas se renovam para voltar ao passado. O que estamos fazendo é compatível com os estudos que se fazem nos Estados Unidos, na Europa, na Coreia", argumentou.
"O projeto foi muito bem-recebido pela sociedade, com uma ou outra voz dissonante. Isso não nos preocupa, porque será suficientemente debatido, como já o foi ao longo do tempo, e será provado que estamos fazendo uma grande revolução no ensino médio."
REAÇÕES
A reforma já enfrenta desafios no Legislativo e no Judiciário.
Na última quinta-feira, dia 29, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin deu prazo de dez dias para explicações do presidente. O pedido foi feito após ação movida pelo PSOL.
No Congresso, antes mesmo de instalada a comissão mista que discutirá o tema, o texto recebeu 567 sugestões de alteração dos parlamentares.
O presidente Michel Temer afirmou que o Congresso certamente ouvirá opiniões distintas, mas ressaltou que a reforma foi feita por técnicos.