Política

Locais em Bauru sem "santinhos" geram elogio

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Renan Casal
Etec Rodrigues de Abreu sem nenhum santinho no chão

Os tradicionais “santinhos” que tomavam a frente de escolas não deram o ar da graça neste ano. Um ou outro até pode ter sido visto, mas sem aquele “derrame” que gerou tantos transtornos e até acidentes graves no passado.

A aposentada Jane Alvarenga, que chegou a escorregar neles em uma eleição anterior, aprovou o “sumiço” dos materiais gráficos de camapanha, nesse domingo (2).

“Era um monte muito grande”, comenta. O filho dela, Dalmer Alvarenga também assistiu a uma senhora cair de joelhos por conta de santinhos, em outro pleito.

“Além do rigor da Justiça Eleitoral, os candidatos passaram a usar outras estratégias de campanha. Isso contribui até para o meio ambiente”, comenta ele.

Marcante

A limpeza constatada nesse domingo (2) ainda demonstra que é possível fazer propaganda eleitoral sem sujar a cidade, na opinião de Ricardo Pereira Lucas.

Funcionário do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Ricardo estava de plantão em 2012, quando Luciana Lucas, 64 anos, escorregou em um “mar de santinhos”, em frente à escola estadual Francisco Alves Brizola, no Jardim Carolina, onde votava.

Três dias depois, ela morreu em função do acidente, o que provocou revolta e comoção. “Não fui eu quem atendeu, mas ficamos sabendo. Marcou”, diz.

Conduta e decisão

Ricardo Lucas também considera absurdo o eleitor que não sabe em quem votar até o momento de votar e recorre aos “santinhos” nas ruas para digitar números sem conhecer ao certo quem é o candidato. “Escolho antes e também uso ‘santinho’, mas depois jogo no lixo”, explica.

Preocupada com quem não tem a mesma conduta e com o derrame de material, Sueli Viana da Silva sempre caminhou com vagar para evitar acidentes. Assim como em outras eleições, ela foi votar com o auxílio de bengala por conta de um problema no joelho. Ficou aliviada com o que viu.

Reflexo de firmeza

Em eleições anteriores, quando os santinhos sobravam pelas vias, era possível observar quem recolhesse material para usá-los como cola por não saber em quem votar. Desta vez, na grande maioria da cidade, eleitores despreparados não tiveram essa prerrogativa. Mas ausência de material publicitário nas ruas não alterou o ritmo de votação, ontem, segundo Ricardo Pimentel Nogueira, presidente da 9.ª seção da 23.ª zona eleitoral de Bauru.

Ele também elogiou a campanha limpa deste ano, assim como a fiscal Rose Natividade. De acordo com ela, a ausência de material de campanha jogado pelas ruas e levado pelo vento também é reflexo da firmeza com que a Justiça Eleitoral tratou da questão. “O juiz José Cláudio Domingues Moreira conversou com todos”, destaca.

Conforme o JC divulgou, candidatos, seus representantes e equipes também foram alertados sobre o endurecimento das regras contra o “derrame” de santinhos e outros materiais gráficos de campanha.

A prática rende multas de R$ 2 mil a R$ 8 mil e atualmente imputa responsabilidade solidária a partidos políticos e candidatos, mesmo que não tenham sido eles diretamente quem espalhou papeis pelas vias públicas.

Renan Casal
Escola Estadual Joaquim de Michieli, no Jardim Cruzeiro do Sul, com alguns santinhos estavam jogados pelo chão

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