Política

Lula é indiciado suspeito de corrupção

BELA MEGALE
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Brasília - A Polícia Federal indiciou sob suspeita de corrupção o ex-presidente Lula, acusado de beneficiar um parente em contratos com a Odebrecht. Taiguara Rodrigues, sobrinho da primeira mulher de Lula, e Marcelo Odebrecht, ex-presidente da construtora, foram indiciados sob suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro.
Segundo a investigação, o ex-presidente teria beneficiado o empresário, que trata como sobrinho, via Odebrecht em contratos em Angola. Lula também teria recebido valores ilícitos ao atuar na liberação de recursos junto ao BNDES a favor de obras da Odebrecht no país africano.
Enviado na terça-feira (4) para análise do Ministério Público Federal, o relatório diz que a Exergia Brasil, empresa de Rodrigues, foi subcontratada pela Odebrecht para prestar serviços em Angola sem nunca ter estrutura ou funcionários para isso.
Na avaliação dos investigadores, a função da Exergia era de receber propina, sendo que parte dela teria sido remetida ao petista. De 2009 a 2015, aponta a PF, a empresa recebeu R$ 31 milhões em valores atualizados da Odebrecht, sua única cliente.
Trocas de mensagens entre Rodrigues e Valmir Moraes, um dos seguranças de Lula, indicam que o empresário falava com frequência com o petista sobre sua atuação em Angola, inclusive quando o "tio" ainda era presidente.
OUTRO LADO
A assessoria de Lula informou que ele "sempre agiu dentro da lei antes, durante e depois de ocupar dois mandatos como presidente".
Roberto Podval, advogado de Rodrigues disse não ver crimes apontados no relatório. A Odebrecht não quis se manifestar.
MAIS CINCO DIAS
O juiz federal Sérgio Moro concedeu ontem mais cinco dias para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se defender no caso triplex - apartamento no Condomínio Solaris, no Guarujá (SP), cuja propriedade a força-tarefa da Operação Lava Jato atribui ao petista. A defesa do ex-presidente havia requerido prazo de 55 dias para entregar resposta à acusação. Os advogados de Lula alegaram que o Ministério Público Federal dispôs de quase dois meses para elaborar a denúncia criminal contra o ex-presidente por corrupção e lavagem de dinheiro.

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