Por dezenas de anos, as viagens nacionais e internacionais me fascinaram. Por força, principalmente, de minha profissão e também como turista, viajei por quase todo o Brasil e para muitos países. Conheci lugares esplêndidos, cada um deles com sua própria beleza, tanto geográfica quanto melhorada pela mão do homem. Citarei alguns aqui. Pelo sul da Alemanha, pelo Interior da Áustria, pelas montanhas e colinas da Suíça, pelas falésias de Portugal e da Irlanda, visitar Barcelona, Paris, Nova York ou Lisboa, não há adjetivos que possam marcar com fidelidade os momentos vividos. Desde o Reino Unido até a África do Sul, Suécia, Cingapura ou Tailândia, até o sul da França, Nice, Monte Carlo e outras cidades do litoral mediterrâneo permitiram registrar belezas únicas.
Ainda há muitos lugares onde vivi e conheci. Paro por aqui, pois os leitores podem imaginar quantos lugares já visitei, alguns por muitas vezes. Quero hoje falar de meu País, em especial de um distrito longínquo de Porto Velho, no Estado de Rondônia, bem na fronteira do Estado do Amazonas, distante, pelo rio, mais ou menos, duas horas de Humaitá-Amazonas. Seu nome é Calama.
Minhas observações se deram e se dão porque temos um Projeto lá, de Fonoaudiologia e de Odontologia, da FOB USP. Não falo aqui do Projeto. Falo aqui de Calama. Localidade pobre, mas de bravos homens trabalhadores, onde vivem brasileiros fortes, viris e preocupados com a floresta, com a terra, com os rios, com a família. Terra de pescadores e de garimpeiros. Terra esquecida, como tantas outras ribeirinhas de nosso País. Não há aqui qualquer crítica às autoridades locais ou estaduais. Faz-se o que se pode e se pensa ser o certo para um Estado geograficamente tão grande quanto o de São Paulo, mas com uma população tão pequena como a cidade de Campinas. Note-se que estou comparando um Estado com uma cidade!
Já Calama, um pedacinho de Porto Velho, Capital de Rondônia, é uma dádiva da natureza. Um distrito-cidade escarpado à beira do rio Madeira, que é a sua estrada, não somente maravilhosa, mas única, sua rodovia para qualquer lugar. Um dos lugares mais maravilhosos que já conheci neste mundo. Calama poderia facilmente se tornar um polo turístico estadual e nacional, clamando por turistas de todo o mundo.
Beleza natural? Calama! Pôr-do-sol? Calama! Céu estrelado? Calama! Rio caudaloso? Calama! Falésias? Calama! Floresta amazônica? Calama! Pescaria? Calama! Praias? Calama! Não faltam recursos, faltam projetos! Um pool de empresários e mais recursos públicos bem direcionados poderiam transformar a pequena localidade em um dos principais destinos de turismo no mundo.
O conjunto de maravilhas já existentes mais a aplicação de projetos rentáveis alavancariam fonte de renda saudável para todos, com benefícios inomináveis para o Estado e o cidadão comum. Governo federal, estadual, empresários nacionais e internacionais, empreendedores, visitem Calama com os olhos no futuro!
O autor é professor doutor titular/Saúde Coletiva/FOB/USP, Bauru