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| As pessoas nem se dão conta de que são portadoras da desordem |
A maneira mais fácil de identificar alguém conhecido é pelo rosto, mas nem com todo mundo é assim. Pessoas com prosopagnosia apresentam uma desordem de percepção em que o cérebro é incapaz de memorizar fisionomias faciais.
Para diagnosticar a incapacidade, as universidades City University London e King's College London, ambas na Inglaterra, criaram um questionário para medir a gravidade do problema que atinge entre 1,9% e 2,5% da população mundial.
De acordo com o neurologista Fabrício Hampshire, na maior parte das vezes, as pessoas nem se dão conta de que são portadoras da desordem. "As pessoas acabam encontrando outras formas de identificar o outro, como o jeito como se mexe, a voz, o cabelo, o sapato, procuram características marcantes", explica Fabrício.
Quando a desordem se manifesta de forma mais grave, o paciente não consegue sequer reconhecer parentes ou amigos. As mais brandas, apesar de causarem problemas, são mais difíceis de serem diagnosticadas, o que torna necessário fazer testes.
'Funciona como quebra-cabeça sem solução'
Quem tem a prosopagnosia geralmente não apresenta problemas relacionados à visão. Eles conseguem observar e guardar outros detalhes das pessoas, além de saberem diferenciar se alguém está feliz ou triste.
Em alguns casos, a mudança de detalhes na aparência como um novo corte de cabelo ou uma toalha de banho enrolada na cabeça pode causar uma desorganização momentânea, gerando irritação.
O neurologista Fabrício Hampshire explica que os prosopagnósicos manifestam falhas em duas áreas específicas do cérebro responsáveis pelo processamento visual.
"A prosopagnosia funciona mais ou menos como se fosse um quebra-cabeças em que a pessoa não consegue encontrar uma solução. Há a incapacidade em juntar as partes e a circunferência do rosto", afirma Fabrício.
'As pessoas se sentem ignoradas'
"As pessoas costumam ficar sem reação quando conto sobre a doença. É muito cansativo ter que ficar lutando para descobrir a identidade de alguém. Mesmo assim, não tem comparação com a dor de saber que se está magoando as pessoas constantemente. Elas se sentem subestimadas e ignoradas, mesmo que eu não tenha ideia de que estou fazendo isso (ao não reconhecê-las)."
Brenda Cassiane
Estudante de Nutrição da Uerj que tem o distúrbio
Fique por dentro
Foco na voz
É importante que os portadores da desordem se acostumem a encarar o interlocutor enquanto o escutam. Isso ajuda a associar melhor e a memorizar as vozes, uma vez que a fisionomia não é importante.
Apoio
A compreensão da família e dos amigos desempenha um papel fundamental para a aceitação dos prosopagnósicos. Assim, não se sentirão excluídos.
