Acompanhado pela avó, um rapaz de 25 anos procurou a Polícia Civil para denunciar ter sido vítima de agressão por parte do próprio pai e de um tio pelo fato de ser gay. Na noite deste sábado (8), a vítima foi alvo de socos, chutes e puxões de cabelo na casa onde moram, situada na região do Parque São Geraldo, em Bauru.
Segundo o rapaz, os acusados sempre o agrediram verbalmente. Anteontem, não foi diferente. Mas desta vez, as investidas também foram físicas. "Se eu não tivesse chegado a tempo, ele teria ficado muito mais machucado. Talvez até tivesse morrido", comenta a avó, que é mãe dos agressores.
"Meu neto deixou o cabelo crescer e eles disseram que iriam arrancá-lo com as mãos. Tiraram vários tufos de cabelo. Guardei tudo para levar para a polícia", explica a mulher de 72 anos, que criou a vítima assim como vários outros netos.
Ainda segundo ela, seus dois filhos também enforcaram o rapaz, embora a hostilidade não tenha deixado marcas no corpo dele. "Eles dizem que meu neto os envergonha. Ele ficou com o nariz e a testa machucados", acrescenta. O caso foi registrado na Central de Polícia Judiciária (CPJ) como vias de fato, ameaça e injúria.
Até o momento, nenhum projeto de lei que criminalize preconceito e discriminação por causa de orientação sexual ou identidade de gênero foi aprovado pelo Congresso Nacional. Ainda assim, a homofobia (termo usado para designar o preconceito e aversão aos homoafetivos) deve ser denunciada.
Esta também é a opinião da avó do rapaz agredido anteontem, que espera ver sua atitude como exemplo. Mas por razões de segurança, pediu para que o nome dos envolvidos fosse preservado.