| Malavolta Jr. |
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| Gina Sanches, da DRE, afirma que 2017 será um ano de análise e discussão nas escolas |
"Não adianta polarizar. Agora é hora de entender a MP (Medida Provisória) e, diante da nova base curricular, fazer propostas para adequar à nossa realidade". A frase de Gina Sanches, dirigente regional do Ensino em Bauru, é sobre a repercussão da MP 746/2016, proposta pelo presidente Michel Temer e pelo Ministério da Educação (MEC) e que pretende instituir a reforma educacional no Ensino Médio.
Diante das manifestações de professores e estudantes nas últimas semanas, a Secretaria de Estado da Educação, em reunião realizada na última quinta em São Paulo, recomendou à Diretoria Regional de Ensino de Bauru (DRE) que o assunto seja tratado em cada unidade escolar. A DRE procurou o JC, na sexta, a fim de esclarecer alguns pontos.
Como a reforma foi proposta pelo governo federal, o Estado, mesmo tendo o prédio da DRE alvo de protestos em Bauru nos últimos dias, ainda não havia se posicionado oficialmente sobre o assunto.
"Manifestações fazem parte da democracia, mas queremos que as ações não se limitem aos protestos. A Secretaria de Educação entende que é indiscutível e urgente a necessidade de se repensar o Ensino Médio. A população deve estudar e debater o conteúdo da MP, levando suas propostas ao Conselho", aponta Gina.
'NADA EM 2017'
A discussão é importante porque, segundo Gina, após a aprovação da Base Nacional Curricular pelo governo federal, chegará aos Estados a missão de adaptação dos conteúdos não obrigatórios.
"Há uma ideia errada de que a MP será aprovada e já implantada, mas nada acontecerá em 2017. Ainda iremos montar a matriz curricular do Estado de São Paulo e poderemos incluir outras disciplinas", pontua Gina.
Anunciada nas últimas semanas, a MP flexibiliza a grade curricular do Ensino Médio, tornando obrigatórias as disciplinas de língua portuguesa, matemática e língua estrangeira. As demais matérias serão recomendadas pelo MEC de acordo com temas mais amplos, como ciências humanas, naturais e exatas.
No penúltimo ano da formação, o aluno poderá optar pelo ensino profissionalizante ou por continuar os estudos em alguma dessas áreas do ensino e que seja de seu interesse, com foco no vestibular.
Das 52 escolas estaduais de Bauru, 34 possuem o Ensino Médio, com um público formado por quase 12 mil estudantes.
'DEBATE'
Gina explica que a elaboração da matriz curricular da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo depende do Conselho Estadual de Educação, que agirá na regulamentação e normatização do currículo.
"Nada será mudado antes de um amplo debate com professores, diretores e estudantes", promete a dirigente.
Em tempo: MP, anunciada no final do setembro, ainda será submetida à apreciação do Senado, o que deve acontecer até o final desse ano.
DEPENDE DE ORÇAMENTO
Entre as alterações propostas, a medida também altera a carga horária diária das escolas com Ensino Médio: de 800 horas para 1.400 horas, instituindo o ensino integral.
A mudança, contudo, depende da adequação dos prédios públicos, que por sua vez, dependem de dotação orçamentária do Estado. Portanto, se houver mudança, será lenta e gradativa, observa a dirigente.
A mesma regra se aplica ao ensino profissionalizante, que dependerá de unidades mais equipadas e preparadas para tal finalidade.
"A MP não obriga os alunos a estudarem o ensino profissionalizante, mas dá a eles o poder de optar", comenta Gina Sanches.
