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ANP apura irregularidades na venda de petróleo

Por Alana Gandra | ABr
| Tempo de leitura: 3 min

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) está apurando dois casos de empresas do setor petrolífero que apresentaram comportamento atípico de preço de venda de petróleo, também chamado preço de referência, coincidindo com o preço mínimo. Os casos estão sendo analisados pela área técnica da agência, mas ainda não há conclusões, disse nessa segunda-feira (10), no Rio de Janeiro, o diretor da ANP, Waldyr Barroso, após audiência pública que debateu a revisão no cálculo dos royalties de petróleo pagos à União, aos estados e municípios.

Os processos foram abertos há quatro meses e estão na fase de instrução, sem prazo de conclusão. Barros advertiu que o fato de estar sendo investigada não significa que a empresa esteja fazendo um ato errado. "A gente só pode afirmar isso após apuração e dado ampla defesa contraditória”.

O diretor da ANP informou que, de acordo com a legislação em vigor no país, para o recolhimento dos royalties sobre o petróleo produzido é usado o valor maior entre o preço de venda e o preço mínimo. “A gente sempre utiliza o maior que, em linhas gerais, é o preço de venda, que reflete um preço acima do preço mínimo”. O que ocorreu, disse, é que, a partir de um determinado momento, “isso se igualou”. De acordo com a Comissão de Tributação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), isso ocorreu desde 2013. Até essa data, o preço de venda sempre foi maior que o preço mínimo.

Barroso explicou que a análise em curso pode determinar se aquele produto está sendo comercializado pelo preço que consta da nota ou se esse preço está sendo subavaliado. “É isso que está sendo apurado”. Hoje, a ANP não tem acesso às notas fiscais das transações efetuadas pelas empresas petrolíferas para terceiros e defende que haja uma regra que torne isso uma obrigação. “O valor tem que ter um correspondente registro na empresa. Se isso acontecer, a ANP entende que a situação está OK. O problema é que a gente não tem essa informação”. A empresa terá de explicar a destinação do óleo vendido e, caso fique confirmada a irregularidade, a empresa sofrerá penalidades. “Esse valor tem de aparecer”.

Na avaliação do secretário executivo de Exploração e Produção do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Antônio Guimarães, enquanto não for constatado algo irregular, a ANP “não pode punir todo mundo de forma preventiva”, por meio do aumento do preço mínimo, “como se isso fosse resolver o problema”. Ele disse que não é lícito a ANP  querer ver nota fiscal de terceiras empresas, referente a negócios centrados em outro país.

Royalties

O debateu sobre a revisão no cálculo dos royalties de petróleo pagos à União, aos estados e municípios gerou polêmica na audiência pública. Os estudos da ANP em relação à resolução sobre a correção no cálculo dos royalties mostram que a variação dos preços mínimos ficava, em média, em 6%. “Isso não quer dizer que eu vou ter aumento do repasse para estados e municípios, porque o preço de venda ia ficar acima. A resolução era inócua”, disse Barroso. O processo de revisão foi iniciado em 2015, mas acabou suspenso no início deste ano pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Ele diz que, na prática, não teria muita variação, embora o IBP assegure que a revisão geraria aumento da arrecadação de R$ 2,2 bilhões, tomando por base os preços médios do ano passado.

O IBP estima que a revisão aumentará em cerca de 6,5% o pagamento de royalties e participações especiais, afastando investidores do setor e que também poderá haver redução de arrecadação em alguns estados e municípios. A ANP fará auditorias em campos de produção, mas não tomará decisões sozinha, uma vez que é o governo federal tem a prerrogativa de elaborar  política de preços.

A ANP está revendo os parâmetros do cálculo dos royalties, mas o IBP considera que este não é o momento de promover alterações, devido à crise. Guimarães disse que o país precisa rever o seu “pacote de atratividade”, inclusive para ter sucesso no leilão de petróleo do ano que vem. A seu ver, cabe à União promover qualquer mudança no cálculo dos royalties.

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