Novas estatísticas sobre o mercado de trabalho mostram que um número crescente de brasileiros está ocupado em empregos aquém de suas necessidades ou se afastaram do mercado por causa da falta de oportunidades em meio à recessão econômica.
Além dos 11,6 milhões de desempregados em busca de trabalho no país, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta (13), havia no segundo trimestre deste ano 4,8 milhões de pessoas subocupadas e 6,2 milhões que estão em idade produtiva mas se afastaram do mercado na crise.
Os três grupos representam 13,6% dos 166,3 milhões de pessoas com idade para trabalhar no país, com mais de 14 anos. "São pessoas que poderiam estar trabalhando, mas não estão", afirma Cimar Azeredo, da coordenação de Emprego e Renda do IBGE.
O instituto considera subocupados os trabalhadores que fazem menos de 40 horas semanais, ou oito horas por dia, considerando os cinco dias úteis da semana. Essas pessoas, no momento em que responderam à pesquisa do IBGE, disseram ter interesse em complementar suas rendas no tempo livre porque a posição ocupada atualmente não lhe garante remuneração considerada suficiente.
Na passagem do primeiro para o segundo trimestre, 700 mil pessoas entraram nesta condição. Tecnicamente, essas pessoas estão no grupo de subocupados por insuficiência de horas trabalhadas.
Os dados, colhidos pela Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad) Contínua, a pesquisa oficial de emprego do país, indica que o mercado de trabalho continua a se deteriorar com a crise, o que tende a prejudicar a capacidade da economia de se recuperar com vigor.
DESALENTO
Os 6,2 milhões afastados do mercado são classificados pelo IBGE como uma "força de trabalho potencial", brasileiros tem idade para trabalhar, mas saíram do mercado por várias circunstâncias, desistindo de buscar emprego após muitas tentativas fracassadas, o chamado desalento, ou que não encontraram trabalho que julgassem recompensador.
Esse número avançou muito em relação ao início da crise. Em dois anos, o contingente aumentou em cerca de 2 milhões de pessoas, um aumento equivalente a 51%. "Pode ser uma mãe que opte por cuidar dos filhos em vez de pagar a creche particular ou aquele desocupado que não tem interesse em assumir um emprego fora de sua área de formação", diz Azererdo.
"Existe um número crescente de pessoas que gostaria de trabalhar, mas elas desistiram em função da baixa oferta e dos baixos salários no mercado", afirma Rafael Bacciotti, economista da consultoria Tendências.
Bacciotti lembra que as taxas de trabalhadores por conta própria também têm caído. Isso significa que o movimento visto no início da crise, de desempregados que vão para negócios informais, está sofrendo mudança.
"No fundo, o que vimos mesmo é o aumento do desalento das pessoas com o mercado. Muitos parecem estar optando por esperar antes de fazer qualquer outro movimento", diz o economista.
As estatísticas divulgadas pelo IBGE nesta quinta trazem novos detalhes sobre o mercado, mas não mudam a taxa de desemprego do segundo trimestre deste ano -em julho, os 11,6 milhões de desocupados representaram uma taxa de desemprego de 11,3%. No trimestre encerrado em agosto -o dado mais recente-, o número de desempregados chegou a 12 milhões e a taxa, a 11,8%.