Esportes

Associação Vôlei Bauru cobra dinheiro emprestado; Norusca rebate

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Noroeste alega que “confissões de dívida” não têm assinatura 

de Estevan Pegoraro, atual presidente e ex-tesoureiro do clube

A Associação Vôlei Bauru (nome oficial da equipe feminina de voleibol da cidade, conhecida como Concilig/Bauru) entrou na Justiça no início de agosto cobrando R$ 258.939,86 do Esporte Clube Noroeste. O valor seria relativo a empréstimos realizados pelo vôlei ao Norusca.

São duas ações distintas. A primeira deu entrada no dia 8 de agosto, na 4ª Vara Cível de Bauru, relativa a R$ 77.542,04, e a segunda começou a tramitar no dia seguinte, cobrando R$ 181.397,82, esta na 2ª Vara Cível. A diretoria do Noroeste nega que tenha recebido o dinheiro, ainda na gestão do ex-presidente Emílio Brumati.

Em nota enviada pela assessoria de imprensa, o Noroeste diz que “as ações movidas pela Associação Vôlei Bauru estão baseadas em ‘confissões de dívidas’ assinadas única e exclusivamente pelo então presidente Emilio Brumati e que não possuem a assinatura do atual presidente e tesoureiro da época, Estevan Pegoraro, nem tampouco do então vice-presidente Rafael Padilha”. O clube afirma que o artigo 51 do Estatuto do Noroeste exige que qualquer documento que impute em responsabilidade financeira seja assinado pelo presidente e também pelo tesoureiro, e na impossibilidade deste último, pelo vice-presidente.

A reportagem procurou a diretoria do Vôlei Bauru. O presidente Adriano Pucinelli e o vice-presidente, Reinaldo Mandaliti, que coordena a parte financeira da entidade, garantiram que houve empréstimo. “O dinheiro emprestado é da Associação Vôlei Bauru, não tem nada a ver comigo ou com o Rodrigo (Mandaliti) ou com as nossas empresas”, explica Reinaldo Mandaliti.

O ex-presidente do Noroeste, Emílio Brumati, declarou pela assessoria noroestina que não concorda com a cobrança. “O ex-presidente Emílio Brumati mostrou-se indignado que dois conselheiros do clube, os irmãos Reinaldo e Rodrigo Mandaliti, estejam cobrando um valor que tenha sido dado por eles ao Noroeste, a princípio, como forma de patrocínio que eles fizeram ao Noroeste através da empresa Concilig, empresa esta que inclusive estampou o calção do time em todas as 19 rodadas disputadas no Campeonato Paulista da Série A3 deste ano”.

Segundo Brumati, “o valor foi sempre tratado como patrocínio da empresa Concilig e as confissões teriam sido assinadas por engano, motivo pelo qual lamenta profundamente a atitude tomada agora pelos irmãos Mandaliti”, disse em nota.

SEM RETALIAÇÃO

O Noroeste afirma ainda que não haverá retaliação ao Concilig/Bauru quanto ao uso do ginásio Panela de Pressão para jogos e treinos da equipe, por conta do imbróglio. Vale destacar, no entanto, que desde o mês passado o Alvirrubro fez acordo de aluguel com a Prefeitura de Bauru, que detém o direito de uso do ginásio - apesar do novo contrato, válido por um ano, ainda não ter sido assinado formalmente.

DAE cobra o clube

Além destas ações, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) também cobra R$ 362.559,02 do Noroeste. A ação de execução fiscal (dívida ativa não tributada) teve início em 26 de abril, e a petição inicial foi recebida em 14 de junho, e tramita na 1ª Vara da Fazenda Pública de Bauru.

Além das cobranças do DAE e agora esta do Vôlei Bauru, o Alvirrubro também tem de pagar atualmente parcelas de IPTU atrasadas, junto à Prefeitura de Bauru, o Profut (refinanciamento junto ao governo federal) e dívidas trabalhistas. O dinheiro do aluguel da Panela de Pressão, que agora foi para quase R$ 29 mil mensais, será destinado para este fim.

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