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Homologação de demissões traz gente de todo o Estado a Bauru

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
Fabio veio da Capital para dar entrada no seguro-desemprego

Desde que os agendamentos das homologações de demissões passaram a ser feitas só via Internet, a gerência regional do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em Bauru, passou a receber gente de todo o Estado. Para se ter uma ideia, na Capital e em cidades litorâneas, só há vagas para 2017.

Gerente regional do trabalho, José Eduardo Rubo explica que o município passou a fazer homologações via Internet, através do HomologNet, em janeiro. Como o sistema apresentava falhas técnicas, o agendamento era feito tanto no ambiente digital quanto pessoalmente, à moda antiga.

Contudo, desde a semana retrasada, o MTE determinou que os agendamentos passassem a ser feitos exclusivamente via Internet. O problema é que o sistema continua apresentando problemas, fato que atrasa todo o processo e cria uma grande fila de espera.

Com isso, trabalhadores do restante do Estado começaram a agendar na gerência regional, em Bauru, local com menos filas, para realizar o serviço. “Vem gente de São Paulo, do Litoral, das cidades que fazem fronteira com o Mato Grosso e o Paraná, onde só se consegue agendamento para o final do ano. Em Bauru, é mais rápido”, acrescenta.

A demanda, segundo Rubo, não é exclusiva de Bauru. Com a crise econômica, as demissões se tornaram rotina na vida dos trabalhadores e o sistema do MTE ainda não funciona como deveria. Resultado: fila de espera em qualquer lugar.

Para emitir a segunda via da carteira de trabalho ou o mesmo documento, só que para estrangeiros - procedimentos que são feitos diretamente nas agências do MTE -, a dificuldade é a mesma. “Só que, nesse caso, dá para ir até o MTE e tentar ser atendido pessoalmente, se houver alguma desistência”, revela.

DIRETO DA CAPITAL

O montador de estrutura Fabio Matos da Silva, de 29 anos, perdeu o emprego em agosto do ano passado. Como a empresa onde ele trabalhava faliu, Silva teve de enfrentar um processo judicial para conseguir o acerto.

Um problema foi resolvido. Restou o outro: exatamente dar entrada no seguro-desemprego. Em São Paulo Capital, onde ele vive, o MTE só tinha vaga disponível para o dia 20 de fevereiro do ano que vem. Na gerência de Bauru, o trabalhador conseguiu ser atendido ontem.

O mesmo ocorreu com o motorista Zelino Cruz, de 52 anos. Ele foi demitido em fevereiro deste ano e também teve de enfrentar um processo judicial para conseguir o acerto. Ontem, ele viajou de São Paulo a Bauru para dar entrada no seguro-desemprego. “Na Capital, só tinha vaga para 2017 e eu preciso do dinheiro, não dá para esperar”, narra.

José Eduardo Rubo, do MTE, afirma, ainda, que a falta de efetivo na gerência regional, em Bauru, leva à fila de espera. Com 28 servidores administrativos, não há condições de atender a demanda local e de fora. “Os servidores não estão dando conta. Precisaria de, pelo menos, 40 pessoas para que não houvesse prejuízo no atendimento ao público”, argumenta.

SOLUÇÃO TEMPORÁRIA

Como solução momentânea para a fila de espera provocada pelas homologações de demissões, a gerência de Bauru passou a restringir o procedimento somente aos trabalhadores da região. “Paramos de aceitar o público em geral desde a sexta-feira passada, mas ainda temos de atender aqueles que já tinham agendado”, pontua.

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