| Fotos: Douglas Reis |
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| Crianças na Emei Stelio Machado Loureiro, Centro: educação foi tema do caderno “Ser” desse domingo (16) e série diária começa hoje |
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| Cabe ao adulto apresentar à criança a cultura que foi construída respeitando sua fase de desenvolvimento, diz Elaine Andrade |
O aprendizado não se dá só nos bancos escolares. A criança começa a aprender ainda no útero materno e acelera este processo ao nascer. Toda a formação ocorre no dia a dia, ao lado da família e de seus cuidadores. No entanto, a escola é o espaço no qual recebe direcionamento do conteúdo que vai nortear a vida.
“A criança é um ser social, é no seu relacionamento com o outro que ela se desenvolve. Por isso a mediação do adulto é muito importante para o seu processo de humanização. Cabe ao adulto apresentar à criança a cultura que foi historicamente construída respeitando sua fase de desenvolvimento”, explica Elaine Carlota Rezenti Andrade, professora da Rede Municipal de Ensino de Bauru, especialista em Docência do Ensino Superior e pós-graduanda em neuropsicopedagogia.
Quem imagina que a criança só começa a aprender quando entra no Ensino Fundamental está enganado. Por isso a Educação Infantil vem ganhando cada vez mais importância dentro da formação do pequeno.
“O adulto ‘apresenta o mundo’ à criança, proporcionando a ela o acesso aos objetos da cultura humana. E assim através das vivências, da relação com o meio e a mediação do professor a criança desenvolve o saber científico na escola”, explica Elaine.
Ela destaca que o sistema municipal de ensino de Bauru concluiu nesse ano a Proposta Pedagógica para Educação Infantil, a qual contém a matriz curricular, com os objetivos e as áreas de ensino a serem trabalhadas.
“São elas: Língua Portuguesa, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências da Sociedade, Cultura Corporal, Artes Visuais, Música e Arte Literária, Horizonte da Formação Ética - política. Dentro de cada área o professor realiza seu planejamento, respeitando a fase de desenvolvimento da criança, trabalhando de forma lúdica e com intencionalidade em suas ações”, explica.
Pela emoção
A ideia não é engessar o ensino nas unidades infantis, mas proporcionar uma linha de trabalho para os professores que garanta o acesso igualitário aos conteúdos para todas as crianças, tanto da rede pública quanto particular. E esse processo deve ocorrer com a consolidação da Base Nacional Comum Curricular (BNC). Mesmo porque, até os seis anos, a criança ainda aprende de forma não intencional.
“A criança nessa idade aprende inconscientemente, brincando, vivenciando, imitando. Devemos pensar: qual estímulo a criança precisa para esta forma de aprendizado? Em primeiro lugar precisa de um vínculo profundo e duradouro com um ou mais adultos”, afirma Renate Keller Ignacio, integrante do Grupo de Trabalho de Educação Infantil da Rede Nacional Primeira Infância e Gestora de Desenvolvimento Institucional da Associação Comunitária Monte Azul.
Brincar é mesmo essencial durante a infância
| Reprodução |
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| É por meio das brincadeiras que os pequenos formam sua percepção de mundo, sua criticidade e sua capacidade de escolhas |
As brincadeiras têm papel fundamental no aprendizado na primeira infância. É através delas que a criança forma sua percepção de mundo, sua criticidade e sua capacidade de escolhas.
“A capacidade para imaginar, fazer planos, apropriar-se de novos conhecimentos surge nas crianças através do brincar, das atividades lúdicas ativas. Mesmo que simbolicamente, nas diferentes situações vividas pelo ser humano, elas reelaboram sentimentos, conhecimentos, significados e atitudes”, diz Elaine Andrade.
As experiências vividas no brincar livre formam um “repertório” inconsciente na alma das crianças que vem à tona quando o Ensino Fundamental aborda estes conteúdos de forma mais consciente. “Além disso, sabemos que o movimento corporal, o brincar sério, compenetrado, com fantasia, favorece a formação de sinapses no cérebro, base fundamental para o desenvolvimento cognitivo futuro”, destaca Renate.
Sendo assim, a Educação Infantil tem um papel fundamental na formação da criança. Através de um conceito curricular e do desenvolvimento de ações pedagógicas organizadas, a escola prepara a criança para as futuras etapas de aprendizagem.
E para os pais que ficam ávidos por ver o pequeno ler e escrever desde cedo, fica a dica: “A escrita não pode ocupar uma relevância e um protagonismo muito diferente das demais linguagens”, explica Mônica Correia Baptista, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e consultora da Base sobre leitura e escrita na educação infantil.
A ideia é que a criança tenha o direito de se apropriar de todas as linguagens, não apenas a escrita, mas também a oral e a corporal. Sempre partindo das brincadeiras e das interações, essenciais para a comunicação na primeira infância. Por isso, na educação infantil não há o sistema de avaliação por prova.
“O conhecimento não é consciente. O que dá para avaliar é a segurança e o equilíbrio nos movimentos, a coordenação motora fina, o desenvolvimento da linguagem falada, a riqueza do vocabulário, a fantasia no brincar, a felicidade e a saúde da criança. Mas não deve submetê-la a questionários e exigir o conhecimento consciente”, frisa Renate.
O que é a Base Nacional Comum Curricular?
A Base Nacional Comum Curricular (BNC) pretende deixar claro os conhecimentos essenciais que todos os estudantes brasileiros devem ter acesso e se apropriar durante sua trajetória na Educação Básica, ano a ano, desde o ingresso na Creche até o final do Ensino Médio. Com ela os sistemas educacionais, as escolas e os professores terão um instrumento de gestão pedagógica e as famílias poderão participar e acompanhar mais de perto a vida escolar de seus filhos. A Base tem como objetivo ser mais uma ferramenta para ajudar a orientar a construção do currículo das mais de 190 mil escolas de Educação Básica do país, espalhadas de Norte a Sul, públicas ou particulares.
Com a BNC, ficará claro para todo mundo quais são os elementos fundamentais que precisam ser ensinados nas Áreas de Conhecimento: na Matemática, nas Linguagens e nas Ciências da Natureza e Humanas. “A partir da Base, os mais de 2 milhões de professores continuarão podendo escolher os melhores caminhos de como ensinar e, também, quais outros elementos (a Parte Diversificada) precisam ser somados nesse processo de aprendizagem e desenvolvimento de seus alunos. Tudo isso respeitando a diversidade, as particularidades e os contextos de onde estão”, diz o documento que está sendo desenvolvido pelo Ministério da Educação (MEC).


