A defesa do ex-deputado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) diz que sua prisão é uma medida "absurda" e que foi decretada sem que haja "fato novo" contra o peemedebista. "A prisão é um absurdo. Esse pedido ficou mais de quatro meses no Supremo Tribunal Federal (STF) e não foi admitido. Se houvesse motivos, o Supremo teria prendido", afirmou o advogado Pedro Ivo Velloso, um dos que acompanham o caso.
O advogado Ticiano Figueiredo criticou a decisão da prisão e disse que não havia "qualquer fato novo" que justificasse a medida. O advogado, porém, elogiou a atitude dos policiais federais no momento da prisão, feita em Brasília. Disse que foram "extremamente educados", evitaram exposição e agiram "de forma serena".
Cunha foi preso na garagem do prédio do apartamento funcional de Brasília, que ele já teria que ter desocupado. Na saída da PF, Figueiredo foi insultado por manifestantes. Cercado pela imprensa, que tentava falar com o advogado, ele foi identificado por um grupo pequeno, que, com os celulares na mão, passaram a filmar e xingar o defensor.
Cunha divulgou nota em que afirma que o juiz Sergio Moro não tem competência para decretar sua prisão. O peemedebista sustenta que a ação que deu base para sua prisão preventiva teria sido extinta pelo Supremo. Ele reafirma a fala de seus advogados de que a prisão é "absurda" e sem motivação.
Um dos principais aliados de Eduardo Cunha, o deputado Paulinho da Força (SD-SP) afirmou ontem que o ex-presidente da Câmara já esperava a prisão e que só fazia um comentário sempre que abordava o assunto: que vai escrever um livro. O deputado cassado tem manifestado a intenção de fazer revelações no livro, o que alimenta o temor de grande parte do mundo político em Brasília: o de que o ele feche um acordo de delação premiada com as autoridades.
Em Curitiba, ele foi recebido com gritos de "Fora Cunha". No Rio de Janeiro, onde a casa do ex-deputado foi alvo de buscas, empregadas domésticas dos vizinhos aplaudiram a ação da Polícia Federal (PF).