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Gocil/Bauru e Mogi abrem série decisiva do Paulistão

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 7 min

Samantha Ciuffa
Bauru Basket inicia final para ratificar hegemonia e conquistar 3º título em 4 anos no Paulista

Gocil/Bauru e Mogi das Cruzes iniciam neste sábado (22), às 18h30, no Ginásio Panela de Pressão, a disputa pelo título do Campeonato Paulista. Uma final que, por si só, já seria motivo para prender a atenção dos torcedores das duas equipes e dos amantes do basquete, mas que tem ainda outros elementos que a tornam mais emblemática. Neste ano, a série é em melhor de três jogos. A segunda partida será na quinta-feira (27), às 20h, em Mogi, e se necessário o terceiro jogo também será no mesmo local, no sábado, dia 29.

Treinador de Bauru por 13 anos, em duas passagens, Guerrinha agora comanda o rival, que conta também com o armador Larry Taylor em seu elenco, jogador que atuou durante sete temporadas pelo Dragão e é um dos maiores ídolos da torcida bauruense e tem sua camisa aposentada pela Bauru Basket. Bauru tenta também consolidar uma hegemonia em São Paulo, podendo chegar a três títulos estaduais em quatro anos (foi campeão em 2013 e 2014, além do obtido na época do Tilibra/Copimax, em 1999), enquanto os mogianos buscam quebrar um tabu de 20 anos sem conquistas oficiais - o último foi o Paulista de 1996, o único de sua história. Os dois times têm ainda um longo histórico de rivalidade em playoffs, desde 1999.

OLHO NO JOGO

Apesar de todos os ingredientes que cercam a finalíssima do Estadual, o técnico Demétrius Ferracciú afirma que a equipe está focada apenas no jogo. “A gente chega em um bom momento, saímos fortalecidos de dois playoffs duros e atingimos um dos objetivos, que era estar na final, mas agora falta o algo mais, que é ser campeão. E vamos buscar isso com todo o empenho”, destaca o treinador bauruense.

O Dragão optou em começar o Paulista com o elenco sub-19 e os jogadores adultos foram entrando aos poucos no time, que conseguiu se classificar aos playoffs na última rodada, no sétimo lugar. Nas quartas de final, Bauru passou pelo Pinheiros e na semifinal por Franca, ambos por 2 a 1. Nas duas séries, a equipe também tinha a desvantagem no mando de quadra e conseguiu sair vitoriosa no primeiro jogo, passando a pressão para os rivais.

“É um playoff curto, sem poder cometer muitos erros. Então temos que fazer a lição de casa para inverter a responsabilidade. Conseguimos isso nos outros dois playoffs e agora vamos buscar novamente reverter a pressão para o adversário”, salienta. “A gente está chegando inteiro, com todos os jogadores sem lesões ou problemas físicos. E isso faz com que seja uma final boa de se ver, de se jogar, quem ganha com isso é o basquete e a torcida”, completa Demétrius.

Sempre finalista

Desde 2014, Bauru chegou às finais em todos os campeonatos que disputou. Desde então foram um título paulista, um sul-americano, um da Liga das Américas, um dos Jogos Abertos, dois vices do NBB, um vice do Mundial e um vice de Liga das Américas. A exceção foi a eliminação no Estadual de 2015, quando a série com Mogi nas quartas não foi encerrada, já que o Bauru foi disputar amistosos na pré-temporada da NBA e acabou “eliminado” do Estadual pela Federação Paulista.

O pivô Rafael Hettsheimeir é um dos atletas que participaram de todas essas conquistas. “Toda a equipe sempre foi muito comprometida com o trabalho, sempre buscando chegar em finais. Chegamos em outra decisão, mas isso é uma ‘pré-conquista’, porque o objetivo final é o título. Todos os jogos são importantes, e jogando em casa é importante ganhar, sabendo que é um jogo difícil”, pontua o camisa 30.

Histórico de sete playoffs

Bauru e Mogi já fizeram sete séries de playoffs desde 1999, quando começaram a se enfrentar (ainda como Tilibra/Copimax e Mogi/Valtra), sendo duas vezes em Campeonatos Nacionais e cinco em Paulistas. Em seis, o Dragão foi o vencedor, e em uma delas, no ano passado, o Mogi acabou avançando, porém o playoff não terminou, pois Bauru foi jogar amistosos da NBA nos Estados Unidos e a Federação Paulista (FPB) declarou a série de quartas de final do Estadual encerrada quando os mogianos venciam por 2 a 0. O assunto, aliás, até hoje alimenta polêmicas entre os torcedores das duas equipes. O hiato de 11 anos sem confrontos decisivos se explica pela ausência dos dois times durante parte da década passada, com Bauru retomando às atividades em 2008 e Mogi em 2011.

Além destas sete séries de playoffs, Bauru e Mogi já protagonizaram uma final: a Liga Sul-Americana de 2014, em partida única, vencida pelos bauruenses por 79 a 53, no Ginásio Panela de Pressão, marcando o primeiro título continental do Dragão, na época sob o comando do hoje técnico mogiano Jorge Guerra, que era também o treinador bauruense nas demais séries diante de Mogi. Confira abaixo os placares dos sete playoffs entre Bauru e Mogi realizados até hoje:

Brasileiro de 1999 - quartas de final - Bauru 3 x 2 Mogi
Paulista de 1999 - semifinal - Bauru 3 x 2 Mogi
Paulista de 2000 - semifinal - Bauru 3 x 2 Mogi
Paulista de 2011 - quartas de final - Bauru 3 x 0 Mogi
Paulista de 2012 - quartas de final - Bauru 3 x 0 Mogi
NBB 2014/15 - semifinal - Bauru 3 x 2 Mogi
Paulista de 2015 - quartas de final - Bauru 0 x 2 Mogi*

*Série não encerrada por conta dos amistosos do Bauru na NBA. A FPB declarou o playoff concluído e classificou o Mogi das Cruzes

Guerrinha ‘do lado de lá’

Ícone do basquete bauruense, hoje Guerrinha estará no outro banco de reservas, comandando o Mogi. Ele assumiu a equipe do Alto Tietê na pré-temporada e esta é a primeira decisão do treinador em seu novo clube. Ao contrário do Bauru, que optou por atuar com o sub-19 até a metade da fase classificatória, os mogianos já começaram o torneio com força máxima.

“São duas equipes muito qualificadas. Bauru fez a opção de atuar no começo com a base e a gente já foi com o elenco completo. Mas Bauru está desde o começo do returno completo, os dois times chegam bem nesta final”, disse Guerrinha em entrevista por telefone ao JC, ontem à tarde, antes de chegar à Cidade Sem Limites.

Sobre o formato da série, com apenas três jogos, o treinador do Mogi frisa que isso não interfere muito. “Em tese, a vantagem é de Bauru, porque faz o primeiro jogo em casa. Mas se a gente vence esse jogo 1, temos duas chances de ser campeões em casa. Então o que manda em qualquer série, seja qual o formato, é a vitória. A gente pode ser campeão vencendo uma fora e uma em casa, ou duas em casa, e Bauru tem que ganhar uma em casa e uma fora, ou se sair perdendo, vencer as duas como visitante. O que faz a diferença é vencer”, aponta.

Mogi tem a chance de conquistar seu primeiro título oficial desde a retomada do projeto, há pouco mais de cinco anos. O último troféu do basquete da cidade foi em 1996, também no Estadual. Apesar disso, Guerrinha não vê pressão extra. “A pressão é a mesma de qualquer campeonato. O que existe é uma expectativa grande de conquista pelo estágio em que o projeto atingiu em Mogi, assim como havia em Bauru antes, e como o próprio Bauru tem agora por ganhar um NBB, por exemplo”, frisa o treinador, que na segunda-feira, em entrevista à Rádio Auri-Verde, disse ser um dos responsáveis pelo Dragão estar em uma nova final. “Na verdade todos dão sua contribuição. Eu tive minha participação na montagem do time de Bauru, ou de parte dele, e também quem me antecedeu aqui em Mogi tem seus méritos pelos resultados de agora”, conclui.

No lado bauruense, a ideia é focar apenas na final. “Para a torcida pode ser (que exista o aspecto da rivalidade), mas para mim e para o grupo de jogadores não pode interferir. Estamos já no segundo ano de trabalho, tenho um estilo diferente do Guerrinha, acho que estamos em outro momento”, afirma o técnico Demétrius Ferracciú, do Bauru.

Ingressos

Parte da carga de bilhetes foi comercializada antecipadamente. O restante será vendido hoje, a partir das 16h30, nas bilheterias do Ginásio Panela de Pressão, e também pela internet (em qualquer horário do dia), no site https://www.totalplayer.com.br/bauru. O preço dos ingressos é R$ 30,00 (arquibancada), R$ 15,00 (meia-entrada) e R$ 100,00 (cadeira de quadra). Sócios-torcedores dos planos que dão direito a entrada livre nos jogos não precisam retirar o bilhete antes, basta ir diretamente ao ginásio com a carteirinha.

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