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| Servidores podem ser remanejados para limpar bocas de lobo pela cidade; na fotografia, exemplo do serviço sendo realizado no início deste mês na rua Luciene Avallone, Pq. Jaraguá |
Símbolo do fim de um governo sem dinheiro, parte da equipe operacional da Secretaria de Obras da Prefeitura de Bauru pode ficar ociosa a partir da semana que vem. Os 35 servidores correspondem a um terço da Divisão de Pavimentação, que deveria executar serviços de recape e asfalto novo pela cidade. Como os recursos para a aquisição de materiais são suficientes para manter apenas o tapa-buracos até o desfecho deste mandato, a ideia do governo é remanejar esses funcionários para o cumprimento de outras atividades.
O secretário Sidnei Rodrigues elenca duas alternativas: a limpeza de terrenos baldios, pela proximidade do verão e do aumento dos riscos de dengue e outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, e de bocas de lobo, que pode ajudar a minimizar o impacto das chuvas características do verão.
“No primeiro caso, não é um serviço prestado pela Obras, mas, no fim das contas, somos todos da prefeitura. E a manutenção dos bueiros é possível porque esses trabalhadores já ganham por insalubridade. Acredito que a proposta vai ser bem recebida pelo pessoal, mas pode, sim, haver resistência de alguns servidores”, pondera o titular da pasta.
Ao todo, a Divisão de Pavimentação tem 105 funcionários. A despeito dos 35 que devem ser realocados ao menos até o fim do ano, os outros 70 continuam se dedicando ao tapa-buraco ou à confecção de guias e sarjetas.
“Neste último caso, a gente usa concreto. Isso a gente tem. O que falta é massa asfáltica. Estamos concluindo duas quadrinhas no Distrito Industrial 3 e uma na Vila Aviação, onde um empresário doou todo o material e entramos com o serviço. Depois disso, não há o que fazer”, explica Sidnei.
O secretário alega que, além das dificuldades com a arrecadação municipal, o custo da matéria-prima do asfalto subiu consideravelmente.
Recape na Nuno
Sidnei Rodrigues ainda nutre expectativa de que os 35 servidores do asfalto continuem prestando serviços desta natureza. O secretário propôs ao DAE que a equipe assuma a execução do recape da avenida Nuno de Assis, no trecho que vai do cruzamento com a avenida Nações Unidas até a altura do viaduto Falcão-Bela Vista.
O trabalho deveria ser feito pela empresa Stemag, contratada pela autarquia para instalar os interceptores de esgoto às margens do rio Bauru. A recuperação da pavimentação da via, impactada pelas obras, era um dos itens do contrato, que, por sua vez, está sendo rediscutido entre as partes.
O compromisso foi firmado em julho de 2014. Como noticiado em abril deste ano pelo JC, a Stemag reivindica realinhamento de 22% sobre o valor de R$ 635.055,69 inicialmente contratados para o recape da Nuno, alegando que o custo dos materiais utilizados subiu muito neste intervalo de tempo
Enquanto a empresa e o DAE não chegam a um acordo, a Secretaria de Obras já se propôs a executar o serviço desde que a autarquia compre o material necessário. “Ajudaria a gente e ao DAE. Caso eles tenham que licitar essa obra hoje, ela custará muito caro. Se nós fizermos, não vão gastar com mão de obra e o preço pode ficar empatado ao do contrato original. Além disso, o recape da avenida é uma ação urgente. O asfalto provisório gera, além de incômodo, muito perigo”, diz Sidnei Rodrigues.
O pagamento à Stemag, porém, seria viabilizado com recursos do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE). Caso o departamento concorde com a proposta da Obras, depende de autorização da Câmara Municipal para acessar o dinheiro carimbado com o intuito de comprar a massa asfáltica e disponibilizá-la à pasta da Prefeitura.
