Política

Sem dinheiro, Obras pode ficar com equipes "ociosas"

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação
Servidores podem ser remanejados para limpar bocas de lobo pela cidade; na fotografia, exemplo do serviço sendo realizado no início deste mês na rua Luciene Avallone, Pq. Jaraguá

Símbolo do fim de um governo sem dinheiro, parte da equipe operacional da Secretaria de Obras da Prefeitura de Bauru pode ficar ociosa a partir da semana que vem. Os 35 servidores correspondem a um terço da Divisão de Pavimentação, que deveria executar serviços de recape e asfalto novo pela cidade. Como os recursos para a aquisição de materiais são suficientes para manter apenas o tapa-buracos até o desfecho deste mandato, a ideia do governo é remanejar esses funcionários para o cumprimento de outras atividades.

O secretário Sidnei Rodrigues elenca duas alternativas: a limpeza de terrenos baldios, pela proximidade do verão e do aumento dos riscos de dengue e outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, e de bocas de lobo, que pode ajudar a minimizar o impacto das chuvas características do verão.

“No primeiro caso, não é um serviço prestado pela Obras, mas, no fim das contas, somos todos da prefeitura. E a manutenção dos bueiros é possível porque esses trabalhadores já ganham por insalubridade. Acredito que a proposta vai ser bem recebida pelo pessoal, mas pode, sim, haver resistência de alguns servidores”, pondera o titular da pasta.

Ao todo, a Divisão de Pavimentação tem 105 funcionários. A despeito dos 35 que devem ser realocados ao menos até o fim do ano, os outros 70 continuam se dedicando ao tapa-buraco ou à confecção de guias e sarjetas.

“Neste último caso, a gente usa concreto. Isso a gente tem. O que falta é massa asfáltica. Estamos concluindo duas quadrinhas no Distrito Industrial 3 e uma na Vila Aviação, onde um empresário doou todo o material e entramos com o serviço. Depois disso, não há o que fazer”, explica Sidnei.

O secretário alega que, além das dificuldades com a arrecadação municipal, o custo da matéria-prima do asfalto subiu consideravelmente.

Recape na Nuno

Sidnei Rodrigues ainda nutre expectativa de que os 35 servidores do asfalto continuem prestando serviços desta natureza. O secretário propôs ao DAE que a equipe assuma a execução do recape da avenida Nuno de Assis, no trecho que vai do cruzamento com a avenida Nações Unidas até a altura do viaduto Falcão-Bela Vista.

O trabalho deveria ser feito pela empresa Stemag, contratada pela autarquia para instalar os interceptores de esgoto às margens do rio Bauru. A recuperação da pavimentação da via, impactada pelas obras, era um dos itens do contrato, que, por sua vez, está sendo rediscutido entre as partes.

O compromisso foi firmado em julho de 2014. Como noticiado em abril deste ano pelo JC, a Stemag reivindica realinhamento de 22% sobre o valor de R$ 635.055,69 inicialmente contratados para o recape da Nuno, alegando que o custo dos materiais utilizados subiu muito neste intervalo de tempo

Enquanto a empresa e o DAE não chegam a um acordo, a Secretaria de Obras já se propôs a executar o serviço desde que a autarquia compre o material necessário. “Ajudaria a gente e ao DAE. Caso eles tenham que licitar essa obra hoje, ela custará muito caro. Se nós fizermos, não vão gastar com mão de obra e o preço pode ficar empatado ao do contrato original. Além disso, o recape da avenida é uma ação urgente. O asfalto provisório gera, além de incômodo, muito perigo”, diz Sidnei Rodrigues.

O pagamento à Stemag, porém, seria viabilizado com recursos do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE). Caso o departamento concorde com a proposta da Obras, depende de autorização da Câmara Municipal para acessar o dinheiro carimbado com o intuito de comprar a massa asfáltica e disponibilizá-la à pasta da Prefeitura.

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