A exemplo de milhares e milhares de leitores do nosso querido Jornal da Cidade, li a missiva assinada por Venício Augusto Francisco, publicada nesta Tribuna em 20 de outubro. Trata-se de grata surpresa diante dos conteúdos surrealistas de colunas como "Conversando com o Bispo", "Ser Católico", "Coluna Espírita", "Igreja Batista", entre outras cujos autores são visivelmente fundamentalistas religiosos.
Em resumo, a Bíblia apresenta-se como uma ferramenta forjada pela classe dominante para manipular a classe dominada. Ao longo de seus compêndios, observamos algo em comum: o medo. Em momento algum o leitor é convidado para um momento de reflexão.
Os padres e pastores brasileiros, influenciados pelo capital italogermânico, foram no mínimo infelizes ao apresentarem a Bíblia para o nosso povo como uma ferramenta humana forjada a partir do contato de "privilegiados" escribas com seres extraterrestres. Até no mesmo no berçário do Cristianismo (Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha, Inglaterra), a mensagem bíblica está sendo questionada por seus intelectuais. Afinal, a cultura nativa nesses países foi substituída pelo fio da espada dos militares romanos ao longo de 15 séculos.
No Brasil, seis milhões de aborígenes (ou seja, sem contato com o gênese) foram brutalmente assassinados e quatro milhões de africanos tornaram-se escravos nas mãos dos colonizadores portugueses cristãos. Eles, por sua vez, justificavam suas atrocidades respaldados pela bula papal Dominus Pontifex, baixada em 1455 pelo papa Nicolau 5º. A íntegra dela por ser encontrada nos livros escolares ou em sites especializados em religião.
Por falar neles, pesquisas sérias estabelecem um paralelo entre o Gênese do Velho Testamento e os versos de Gilgamesh. Para humoristas de plantão, os "privilegiados" escribas hebreus omitiram a informação para não pagar direito autoral. Graças à democratização no acesso à informação, somente agora nós, brasileiros, bauruenses no meio, estamos analisando a Bíblia por um outro ângulo sem o receio de terminar numa fogueira.
Para encerrar: segundo o Gênese, Deus disse "faça-se a luz". Disse para quem? Talvez o missivita Venício Augusto Francisco tenha a resposta ou, na bacia das almas, digne-se a pensar no assunto.