Tribuna do Leitor

As escolhas de Lula

?Henrique Matthiesen
| Tempo de leitura: 3 min

Não tenho dúvida que Lula foi um dos grandes presidentes da história do Brasil, embora nunca tenha sido um Estadista, que é coisa de Getúlio Vargas e Leonel Brizola, que ocupam um outro patamar na história. Lula, aliás, deveria ter escolhido alguns conselhos da história que Vargas e Brizola deixaram, e um deles é não acreditar que seria parte do clube das elites nacionais. Lula achou que participaria do banquete da Casa Grande um dia; ledo engano, Getúlio e Brizola jamais almejaram tal destino, sempre preferiram a senzala.


A biografia de Lula é algo extraordinário do ponto de vista de que um filho de ninguém, um emigrante da miséria, chegasse um dia ao posto da Presidência da República. Sua origem extremamente humilde contrasta com a soberba do PT, que se achou a gênese da história e os inventores da roda. Infelizmente Lula acreditou e escolheu esse caminho. Suas escolhas desastrosas colocam hoje sua sobrevida política em xeque, como condena também o país ao obscurantismo do governo golpista. Escolheu alianças com as velhas raposas, abraçou por exemplo, José Sarney, Renan Calheiros, Romero Juca, Fernando Collor de Melo, Eduardo Cunha, Michel Temer, dentre outros herdeiros das capitanias hereditárias.


São esses os articuladores do golpe que contribuem para incriminar Lula e o PT que tanto os bajularam, além de acabar com os programas sociais. Lula talvez tenha esquecido do velho ditado que “se perde o pelo, mas não perde o vício”, coisas do PMDB e de escolhas erradas. Do mesmo modo, Lula escolheu não fazer reformas profundas no país, reformas essas que João Goulart quis fazer. Lula optou pela bajulação dos grandes salões, e não fez a reforma agrária, não fez a reforma política, não fez a reforma educacional.


Os governos Lula e Dilma apenas mexeram no financiamento do acesso à Universidade, e não mexeram nas estruturas desonestas da deseducação de nosso país; não compreenderam as lições de Darcy Ribeiro de que a má educação do Brasil é um projeto. Preferiram as ideias de Ministros, com raríssimas exceções, sem lastro com a luta educacional libertadora, garantidora de uma identidade pátria, de desenvolvimento nacional.


Outro desastre foram as escolhas que Lula e o PT fizeram para a Suprema Corte no Brasil. Jamais ouviram os fiéis aliados, mas tentaram agradar as forças retrógradas de uma concepção quase museológica. Hoje temos um Supremo conservador e refém do monopólio midiático, que não guarda os princípios constitucionais, e transformou o Poder Judiciário num poderoso partido político.


Na mídia então a catástrofe é ainda pior, pois jamais o Lula ousou enfrentar a máquina manipuladora e censurável do monopólio midiático no Brasil. Acreditou piamente nas conversas sofisticadas e elegantes destes barões da República, e abasteceu com dinheiro público e farto empresas que vivem da locupletação do dinheiro de nosso povo. Na economia então, preferiu engordar o insaciável apetite dos banqueiros. Nunca na história deste país banqueiros ganharam tanto dinheiro como nas eras do PT.


Hoje, esses que ludibriaram as hordas dos companheiros financiam a caçada ao Lula e sustentam o governo golpista. De fato, Lula foi um grande presidente, mas algumas de suas escolhas foram vitais para o desmoronamento do PT e para seu futuro político. É hora das forças progressistas fazerem a autocrítica e buscarem um novo projeto para o Brasil.

Comentários

Comentários