A compra de votos em currais eleitorais é uma prática antiga, muito usada nos rincões brasileiros, onde o coronelismo mandava prender e soltar, e, às vezes, até matar para se perpetuar no poder. O sistema político mudou ao longo dos últimos anos, leis foram sancionadas para coibir e punir as várias formas de fraudes eleitorais, mas nada conseguiu o efeito desejado quando se fala em compra de votos.
A impunidade, somada à baixa escolaridade dos eleitores, a falta completa de informação e o sentimento latente de usufruir da Lei de Gerson são alguns dos ingredientes perfeitos para que isso ainda ocorra em pleno século XXI. Um exemplo recente aconteceu em Goiás, quando investigações da Polícia Federal (PF), apontaram para a existência de esquemas de doações de cestas básicas, combustíveis e até o pagamento de contas pessoais para poder comprar o voto dos eleitores.
A PF deflagrou para tanto a sua Operação Pão e Circo, para combater à compra de votos na cidade de Serranópolis – GO. Foram cumpridas onze ordens judiciais expedidas pela 18ª Zona Eleitoral de Jataí – GO, e mais dois mandados de prisão preventiva e nove de condução coercitiva. Com certeza esse expediente que levou às investigações naquela localidade, ainda ocorre em outros Estados brasileiros. A PF não teria contingente suficiente para investigar e prender a todos que ainda praticam esse tipo de crime.
O enorme território nacional, e a falta de informatização contendo um sistema de identificação com os dados dos brasileiros são alguns dos dificultadores no combate ao crime no país. Os investigados foram indiciados pela prática de captação ilegal de sufrágio (Compra de votos), e por falsidade ideológica eleitoral. Resta saber por quanto tempo os envolvidos ficarão presos, e, se julgados e condenados, qual será o tempo de prisão. Com certeza responderão em liberdade, e caso condenados, terão uma pena leve, que no fundo vai ter compensado o crime cometido.
Essa situação desmotiva as forças policiais e traz para o cidadão brasileiro, a certeza de que o crime compensa quando praticado em solo nacional. O brilhante trabalho de todos os agentes da PF é jogado no lixo quando ocorre à condenação e os marginais ficam menos de três anos na prisão, podendo ainda recorrer a benesses com cumprimento de 1/6 da pena. Uma profunda reflexão precisa ser feita por toda sociedade brasileira.
Não adianta possuirmos leis de primeiro mundo, quando nossas penas são incompatíveis com os crimes cometidos contra nossa sociedade. Eu tenho a impressão de que nossa Justiça gostaria de manter todos os criminosos nas ruas, evitando para o sistema judiciário e penitenciário o terrível “ônus” de gastar recursos com essa questão tão preocupante.
O autor é colaborador do JC - Blog: http://falandoummonte.blogspot.com.br