Política

Novo prefeito vai priorizar subprefeituras

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

Samantha Ciuffa
Quando a apuração apontava que sua vitória era irreversível, Gazzetta foi abraçado pela esposa Lázara e pela filha Ana Luíza, na casa dos pais dele, na região do Jardim Estoril, onde familiares, amigos e apoiadores gritavam seu nome e aproveitavam para garantir fotos

Clodoaldo Gazzetta (PSD) é o prefeito eleito de Bauru aos 48 anos e após cinco tentativas de chegar ao poder. Com histórico de militância ambientalista, o então candidato, pela primeira vez, reuniu grande leque de apoio político em torno de seu projeto. Foram 10 partidos coligados desde o primeiro turno e ao menos mais três que aderiram ao grupo no segundo.

Em meio a comemorações na casa de seus pais e a uma maratona de entrevistas e cumprimentos, ele sinalizou não querer perder tempo para o que chama de “destravamento da cidade”. Nesta segunda-feira (31), Gazzetta já se reúne com Rodrigo Agostinho, que responde pela Prefeitura até 31 de dezembro de 2016, para discutir os termos da transição. Sua expectativa é de que os trabalhos da equipe que indicará para atuar nos próximos dias comece, efetivamente, na quarta-feira.

Uma de suas prioridades, anunciada durante a campanha, é convencer o antecessor a publicar edital de chamamento para que empresas interessadas em firmar Parceria Público-Privada (PPP) para o tratamento e destinação do lixo doméstico apresentem suas propostas. Atualmente, Bauru gasta milhões de reais para enterrar os resíduos em um aterro particular na cidade de Piratininga.

“A ideia é agilizar esse processo para que, no ano que vem, a cidade possa discutir e escolher o modelo que vamos adotar. Mas isso dependerá da anuência do Rodrigo porque o mandato é dele”, frisa Gazzetta.

Identificar as leis municipais que inibem os investimentos em Bauru e reformatar a lógica da Saúde no município também são elencados pelo prefeito eleito como pontos prioritários para a transição.

Sua primeira medida depois que tomar posse do cargo, contudo, será o envio do projeto de Câmara Municipal propondo a criação de seis subprefeituras.

Jornal da Cidade: Como será a reforma administrativa que pretende promover na Prefeitura?
Gazzetta: Este será nosso primeiro ato. O objetivo é levar a Prefeitura para perto das pessoas, exatamente as que mais precisam do poder público. Vamos fazer com que as pessoas sejam protagonistas da administração da cidade. Elas poderão avaliar, opinar, criticar e participar da gestão. Vamos apresentar um novo organograma, já pensando nas subprefeituras e nos conselhos populares, que serão formados pelas pessoas que, junto com subprefeitos, pensarão estratégias mensais para as ações em cada território da cidade. As mudanças incluem também a ouvidoria que acompanhará a qualidade dos serviços prestados.

JC: Quais áreas terão atenção prioritária durante a transição?
Gazzetta: Vão ser duas. A primeira é a Saúde, que terá seu modelo totalmente reformulado. Vamos implantar um novo sistema de saúde pública em Bauru, priorizando a prevenção. A porta de entrada serão os postos de saúde dos bairros, rompendo com a lógica hospitalocêntrica. O segundo ponto será o levantamento das leis municipais que estão travando o desenvolvimento da cidade para que, nos primeiros 100 dias de governo, possamos fazer o movimento de destravamento. Já sabemos da necessidade de rever o Plano Diretor, de regulamentar as Áreas de Proteção Ambiental (APAs), mas há outros pontos que precisam ser modificados. O objetivo final de tudo isso é gerarmos emprego e renda.

JC: Já há algum nome definido para a equipe de transição?
Gazzetta: Ainda não definimos nomes. Vou sentar com coordenação política da campanha para definirmos. Também preciso conversar com o Rodrigo para saber como ele espera fazer isso e até se vai definir um local específico na Prefeitura para trabalharmos.
JC: Com o apoio de tantos partidos políticos, quais serão os critérios para nomeações do primeiro escalão do governo e dos demais cargos comissionados?
Gazzetta: O secretariado será prioritariamente técnico. As pessoas terão experiência acumulada em área de atuação. O mesmo critério será adotado para o segundo escalão, formado pelos diretores de departamento. Alguns serão funcionários de carreira. Quanto aos comissionados, vamos analisar quais são estritamente necessários para a administração pública. Os que não forem serão extintos. Os relevantes também serão preenchidos tecnicamente para atuarem em projetos específicos. Não haverá cargos de assessores sem que tenham um papel estabelecido.

JC: Como você avalia a Prefeitura que está sendo deixada por Rodrigo Agostinho? As perspectivas de receita, ao menos para 2017, não são das melhores.
Gazzetta: Duas coisas são importantes: o município está em dia como servidores e fornecedores. Em muitos lugares, a situação está pior. De qualquer forma, vou chamar todas as empresas que prestam serviços para reavaliar os contratos para sabermos como conseguiremos pagar todos. Longe de romper, mas essa ação é mesmo necessária. Além disso, já saímos na frente. Nosso grupo encaminhou 60 pedidos de emendas parlamentares. Agora é a hora de cobrar dos deputados federais dos partidos que integram nossa coligação.

Trajetória pavimentada por 24 anos

Malavolta Jr.
Com seu vice, Toninho Gimenez,  Gazzetta discursou a amigos e parente, dedicando a vitória às crianças de Bauru e à população da periferia
Samantha Ciuffa
Pela manhã, Gazzetta votou no Sesi (Altos)

Gazzetta tinha 24 anos quando disputou a Prefeitura de Bauru pela primeira vez. Na eleição de 1992, terminou na quarta colocação, com 10.272 votos. Compôs com Tidei de Lima, eleito na ocasião, de quem foi secretário do Meio Ambiente, único cargo executivo até então exercido pelo novo prefeito na administração pública municipal.

Em 2004, recebeu 7.177 votos, terminando a eleição em quinto lugar. Quatro anos depois, alcançou seu melhor desempenho concorrendo ao Palácio das Cerejeiras, antes da vitória de ontem, com 30.102 votos, atingindo a terceira posição.

No pleito de 2012, ficou em segundo, mas Rodrigo Agostinho conseguiu liquidar a corrida pela Prefeitura com 82% dos votos válidos já no primeiro turno. Na ocasião, Gazzetta conquistou 23.093 bauruenses.

Essa eleição foi a primeira em que o biólogo e ambientalista não concorreu ao Palácio das Cerejeiras pelo PV, sigla que ajudou a fundar na cidade. Ele se filiou ao PSD em março deste ano para disputar a eleição. Sua coligação abrangeu ainda o PTB, PP, DEM, PSB, PSC, PCdoB, Rede, PEN e PROS. Já no segundo turno, recebeu o apoio formal do PDT, Solidariedade e PHS, além das bênçãos do atual prefeito, seu amigo de longa data.

Gazzetta tem 48 anos, é casado com Lázara Gazzetta, que respondia pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente até o início desde mês, e pai de Ana Luiza, de 18 anos.

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