Articulistas

Hora de aproveitar os resultados das urnas

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

É possível realizar inúmeras leituras dos resultados das eleições municipais deste ano. Foram anos difíceis em que a cena política nacional tomou conta de nosso dia a dia, deixando de lado questões muito mais importantes, notadamente em relação à economia brasileira. Do impeachment da presidente Dilma Rousseff até a cassação do deputado Eduardo Cunha foi um longo caminho, sendo que, dada a dimensão da operação Lava Jato, ainda há muita coisa pela frente, entretanto, tivemos o que podemos chamar de um "corte" nestas eleições municipais.

Foram muitas as respostas dos eleitores. Primeiramente ele está cansado. O número de votos nulos, brancos e as abstenções deram esta dimensão. Outra questão importante apurada foi a queda significativa dos eleitos que se posicionam como políticos da esquerda. O efeito negativo do que ocorreu com o Partido dos Trabalhadores e seus líderes (corrupção, prisões, entre outros) ficou evidenciado na baixa escolha de políticas da esquerda e contaminou outros partidos que indicam ideologia semelhante.

Entendo que aqueles que governam o País devem aproveitar os resultados das urnas. O modelo de gestão que nos trouxe até aqui não nos levará a lugar algum. A velha prática das soluções imediatas, de curto prazo, dos conchavos políticos, do "me engana que eu gosto", do bem-estar às custas de estratégias artificiais, não têm mais espaço. É preciso enfrentar as questões estruturantes. É esta a palavra mesmo: enfrentamento.

A PEC 241, que estabelece limites aos gastos públicos, é um importante passo, mas é pouco. Pode ser um início, e será, mas outras questões devem ser colocadas à mesa. Ali na frente poderemos ter problemas e se não houver foco em levar a produtividade ao setor público, equacionando, por exemplo, a questão previdenciária, não haverá crescimento econômico que se sustente. Desde o lançamento do Plano Real, e lá se vão mais de 20 anos, que todos sabem que o diagnóstico para obtermos esta tão sonhada "sustentação do crescimento" passa pelas reformas estruturais. Os governantes foram adiando, adiando, remendando aqui e acolá, e a conta por não enfrentarem o problema chegou. São dois anos de recessão e indicadores econômicos e sociais se deteriorando.

As reformas alardeadas e que precisam voltar à pauta de discussão são: a tributária, administrativa, previdenciária, trabalhista, política e do judiciário. Não é tarefa fácil e tampouco precisam ser realizadas simultaneamente, mas sem mexer nas causas/ raízes dos graves problemas brasileiros sempre estaremos à mercê de crises, de desequilíbrios, cujos efeitos são mais fortemente sentidos aqui no Brasil.

As urnas clamaram por mudanças. O eleitor e a população como um todo querem qualidade de vida duradoura. Querem um Estado eficiente. Querem, quando empreendedores, segurança jurídica e leis trabalhistas mais modernas. A carga tributária além de elevada é complexa, sem eficácia.

Querem que a pluralidade partidária, mas que acabemos com as siglas de aluguel. Há muito a fazer e para isso é preciso disposição. Insisto: se os atuais governantes e políticos com cargos eletivos não aproveitarem este momento e inaugurarem outra maneira de fazer política, perderemos mais uma vez o bonde da história.

As urnas efetivamente falaram muito.

É preciso saber aproveitar seus resultados.

 

Comentários

Comentários