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Manifestações de estudantes continuam em Bauru

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Samantha Ciuffa
O aluno Renan Lopes entregou panfleto a Mariano Marciano, que passava em frente à Guia Lopes

Desocupadas na última terça-feira (1), após reintegração feita pela Polícia Militar, a Escola Estadual (E.E.) Guia Lopes, na Vila Dutra, e Luiz Castanho de Almeida, na Vila Falcão, retomaram as aulas normalmente nessa quinta-feira (3), em Bauru. Entretanto, o clima de protesto segue nas duas unidades e imediações.

Ambas registraram panfletagens de estudantes, professores e apoiadores do movimento nas saídas dos turnos, na manhã, tarde e noite dessa quinta (3).

O material distribuído critica as medidas adotadas recentemente pelo governo federal como a reforma do Ensino Médio, proposta pela Medida Provisória 746, e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, agora PEC 55 em tramitação no Senado, que estipula teto de gastos nas áreas da Saúde e Educação pelos próximos anos.

MAIS AÇÕES

Na Guia Lopes, alguns alunos ainda frequentaram as aulas trajados de uniformes rabiscados com frases bastante utilizadas durante as manifestações dos secundaristas, como “Ocupar e resistir” e “Fascistas não passarão”.

“E vamos continuar indo assim”, afirma a estudante Maria Fernanda Galatti, 16 anos, matriculada no 2.º ano do Ensino Médio. “A ocupação foi só mais um ato. Não vamos abaixar a cabeça, temos várias outras maneiras de protestar”, acrescenta Renan Costa, 16 ano, aluno também do 2.º ano da escola e que realizava panfletagens na porta da unidade ontem no final da tarde.

Na Luiz Castanho, houve uma espécie de assembleia entre estudantes durante o horário de aula. A diretoria também teria participado. “Foi no pátio da escola”, detalha a aluna Amanda Torciano, 17 anos, estudante do 2.º ano do Ensino Médio na unidade.

PRÓXIMOS ATOS

Está marcado para esta sexta-feira (4), às 18h, um ato do Comitê de Luta Contra a Reforma do Ensino Médio, em frente à Câmara Municipal. No próximo dia 7, os estudantes e apoiadores do movimento também realizarão ato de protesto, a partir das 8h, em frente à E.E. Professora Stela Machado, na região da Vila Falcão.

O movimento ainda não possui percurso definido, mas é provável que haja marcha até sede da Diretoria Regional de Ensino (DRE) ou até a Câmara Municipal. O ato também criticará a forma como a reintegração foi realizada pela Polícia Militar, sem decisão judicial e baseado no direito de autotutela em caso de ocupações.

OUTRO LADO

Em resposta, o Ministério da Educação (MEC) informa que o teto proposto pela PEC 241 (ou PEC 55) é global e reforça o compromisso do governo com o equilíbrio das contas públicas, além de garantir a governabilidade econômica. Na avaliação de Mendonça Filho, ministro da Educação, sem a PEC, o governo quebra e inviabiliza todas as áreas.

Sobre a reforma do Ensino Médio e MP 746, o MEC diz que as propostas são fruto de um amplo debate acumulado no País nas últimas décadas. Entre as principais mudanças, afirma o governo, está a possibilidade de o aluno escolher a área em que vai querer atuar profissionalmente, como acontece nos principais países do mundo. “As medidas estão sendo preparadas com base em avaliações técnicas rigorosas, e estão alinhadas com aquilo que defendem os maiores especialistas em educação do País. Trata-se de uma mudança fundamental, que deixará o currículo flexível e articulado com o ensino técnico-profissionalizante e a qualificação”, diz o órgão.

Praça da Paz será palco de protesto da Apeoesp contra PEC e reforma

Aliada do movimento estudantil em Bauru, a diretoria regional do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) realizará, em parceria com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), no dia 9 de novembro, a partir das 8h30, um protesto na Praça da Paz contra a PEC 55,  a reforma do Ensino Médio, a PL 257 e a reforma trabalhista e previdenciária.

“Será um ato regional contra todos os projetos do governo estadual e federal que tiram os direitos dos trabalhadores”, comenta Idenilde Conceição, diretora regional da Apeoesp.

O ato antecede assembleia da Apeoesp, a ser realizada no dia 11 de novembro, na Praça da República em São Paulo, e que discute a situação do professorado.

Agressão?

Facebook/Reprodução
Nas redes sociais, alunos afirmam que foram agredidos; Polícia Militar nega as acusações

Circulam nas redes sociais imagens de três estudantes que teriam sofrido supostas agressões por parte de policiais militares, após a desocupação na E.E. Guia Lopes, na noite da última terça-feira (1).

Em publicação feita pela página Bandeira Negra, consta que um manifestante teria sido agredido com cassetete no momento em que os policiais realizavam a escolta de uma agente da escola. Ainda de acordo com a postagem, outro aluno teria sido empurrado e teve os olhos atingidos por gás de pimenta. “Os três são de outras escolas, mas estavam apoiando nosso movimento lá”, comenta um aluno da E.E. Guia Lopes, que pediu para não ser identificado.

Comandante da PM em Bauru, o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume disse que acompanhou pessoalmente toda operação na Guia Lopes, inclusive a saída dos diretores, e que nada do tipo foi registrado. “A saída foi o momento de maior tensão, realizamos um cordão de isolamento, porém, não foi necessário a utilização de cassetete ou gás pimenta”, afirma o comandante.

Ele pondera, contudo, que qualquer denúncia sobre a atuação, ou mesmo imagens ou vídeos devem ser levadas à sede do 4.º BPM/I. “Qualquer excesso será apurado”, finaliza.

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