Regional

Funcionário de usina é enterrado em Barra Bonita

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Reprodução/Facebook
O motorista José Roberto de Oliveira Dias morreu prensado 

Foi enterrado nessa quinta-feira (3), no Cemitério de Barra Bonita, o corpo do motorista José Roberto de Oliveira Dias, de 49 anos, funcionário terceirado da Raízen. Ele morreu prensado entre o próprio caminhão e um trator, na madrugada de quarta-feira (2), em uma estrada de terra em São Manuel (69 quilômetros de Bauru), quando fazia procedimento para rebocar o primeiro veículo. Entidade que defende a categoria fala em negligência. Já a empresa trata o caso como fatalidade. A Polícia Civil irá apurar as causas do acidente.

A ocorrência foi registrada por volta das 3h. De acordo com registro policial, o motorista seguia até uma fazenda, onde ocorria a colheita de cana-de-açúcar, para carregar o caminhão. Durante o trajeto por uma estrada rural, ao passar por trecho íngreme, coberto de pedregulhos, o veículo teria enfrentado dificuldades para seguir viagem.

O funcionário, então, teria iniciado procedimento para que ele fosse rebocado por um trator, mas o segundo veículo acabou descendo e prensando-o contra o caminhão. Uma ambulância da empresa foi acionada, mas a equipe médica constatou a morte de Dias ainda no local e a Polícia Científica foi chamada para fazer a perícia.

O corpo do motorista foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Botucatu para realização de exame necroscópico e as circunstâncias do acidente, registrado na delegacia de São Manuel como homicídio culposo (quando não há a intenção de matar) na direção de veículo automotor, serão investigadas pela Polícia Civil.

Negligência?

Em nota, a Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp) reclamou que nem o Sindicato dos Empregados Rurais de Igaraçu do Tietê, onde teria ocorrido a morte, e nem o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barra Bonita, onde fica a Usina da Barra, foram avisados do ocorrido.

Com base em relatos de colegas da vítima, a entidade acredita que possa ter havido negligência por parte da usina. “Ao invés da utilização de um trator com carreta de transbordo, foi usado um trator diretamente”, diz. “Os colegas de trabalho dizem é que o trator por si só não tem freios adequados à operação”.

Também em nota, a Raízen lamentou o acidente envolvendo o funcionário terceirizado e afirmou que está à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários. “A assistência à família da vítima já está sendo concedida e as causas do acidente estão sendo apuradas”, declarou.

Normas  

O presidente da Feraesp, Aparecido Bispo, disse lamentar que a Raízen “trate seus trabalhadores com displicência, sem respeitar normas elementares de segurança no trabalho, tudo em nome do lucro desmedido”. Ele também contestou nota emitida aos funcionários onde, supostamente, a empresa insinua que a culpa pelo ocorrido teria sido do trabalhador. “Todo mundo sabe que esses são obrigados a cumprir normas de produtividade exageradas para garantir a lucratividade do patrão e, consequentemente, seu emprego”, diz.

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