Tribuna do Leitor

Ditadura e o projeto 'Escola sem partido'

Leonardo Yamaguti
| Tempo de leitura: 1 min

Em 1964, ano em que se implantou a ditadura militar, a liberdade de expressão no Brasil era um contexto ilusório, pois a sociedade era obrigada a venerar uma doutrina ideológica imposta pelos “líderes”. Incorporar o projeto “Escola sem partido” é um retrocesso, porque limitará a liberdade de expressão tanto dos alunos quanto dos professores, e impedirá possíveis debates, perdendo-se a oportunidade do desenvolvimento saudável da capacidade de defender a sua concepção sobre o tema apresentado.


De acordo com o filósofo e educador Paulo Freire, a escola é uma instituição onde o aluno, além de apreender conhecimentos historicamente sistematizados, consegue aprofundar o seu senso crítico. Assim, consolida seus pensamentos e opiniões. Ou seja, os professores e a própria escola têm de respeitar as ideias que os alunos expõem; como os próprios alunos devem respeitar as convicções dos demais ao seu redor.


“Na sociedade contemporânea, o que marca um bom profissional e uma boa pessoa é o equilíbrio entre informação e formação; entre competência e ética”. Pensando nisso, é preciso que, desde o início, as escolas busquem não só trabalhar conteúdos multidisciplinares, como valores os quais os estudantes levarão para a vida toda. Um exemplo é o respeito, pois em um país como o Brasil que, atualmente, está passando por situações políticas polêmicas, como o impeachment da presidente Dilma, além dos escândalos da Lava Jato, há muitas opiniões distintas, e o respeito é primordial.


Portanto, se uma escola que prescreve uma doutrina ideológica não está fazendo seu papel, o de criar cidadãos que sejam capazes de formar suas próprias opiniões, sabendo lidar com as divergentes, outrossim incorporar o Projeto “Escola sem partido” é uma convicção equivocada.

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