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Bauru se despede de um visionário

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Éder Azevedo/JC Imagens e Malavolta Jr.
O corpo de Toledinho foi velado neste domingo, no Terra Branca, num clima marcado pela comoção de familiares e amigos para as despedidas

Sempre com bom humor e uma coleção infinita de histórias para contar, Antônio Eufrásio de Toledo Filho, mais conhecido como Toledinho, nasceu na cidade de Paraisópolis, em Minas Gerais. Porém, foi em Bauru que ele cresceu e criou raízes.

O coordenador do conselho gestor da Instituição Toledo de Ensino (ITE) morreu na noite de anteontem, aos 73 anos. Ele estava internado no Hospital da Unimed, há 21 dias, para se tratar de complicações gerais de saúde.

Ontem, seu corpo foi velado no Centro Velatório Terra Branca e sepultado no Cemitério Jardim do Ypê. Toledinho deixou a atual esposa, Maria Helena Caligaris Toledo, os filhos Marcelo, Roberto, Rodrigo, Priscila, Thiago, Renata e Nathália, além dos netos Júlia, Felipe, Antônio, Bianca, Betina e Francisco.

Na juventude, ele era considerado o "rei" dos eventos, principalmente, na época em que trabalhou como revendedor da Brahma. Tal popularidade lhe rendeu vários convites - todos recusados - para ingressar na vida política. "A política acaba gerando atritos e gosto de ter muitos amigos", alegou ao JC, em entrevista publicada no dia 26 de junho de 2011.

Visionário e sempre em busca de novos projetos, Toledinho também fez fama no esporte. Enquanto vice-presidente do Noroeste, ele gerou polêmica por suas ideias inovadoras, que renderam diversas manchetes para a Folha de S. Paulo.

"Em uma conversa informal com um jornalista, eu disse que o negócio estava tão feio que os jogadores precisariam pular de paraquedas, usar chuteiras coloridas, entrar com bola fluorescente e luzes apagadas no campo. Falei dentro de um contexto, mas quase todas aquelas coisas acabaram acontecendo", relembrou.

AGREGADOR

Luiz Francisco Borges, de 39 anos, era genro de Toledinho e destaca uma de suas principais características: ser agregador. "Ele fazia de tudo para reunir a família e os amigos. Era gentil e carinhoso, especialmente, com os netos", acrescenta.

Uma das filhas de Toledinho, Priscila Caligaris, de 41 anos, afirma que, todos os domingos, o pai fazia questão de almoçar com esposa, filhos e netos. Já Nathália Toledo, de 33 anos, era a caçula da casa. "Ele nos ensinou a amar o próximo", pontua. 

Futebol na Hípica

Presidente da Sociedade Hípica de Bauru, Clóvis Simão era amigo de Toledinho há tanto tempo que sequer se lembra com exatidão. Os dois, inclusive, jogavam futebol juntos. "Era uma pessoa que gostava muito de Bauru e ficava entusiasmada diante de qualquer novidade positiva", observa. Embora dez anos mais novo que Toledinho, o ex-presidente do Bauru Tênis Clube (BTC), Ricardo Coube, também jogou bola com ele, na Hípica. "Sempre foi um inovador, um pioneiro. Ele, ainda, incentivava as ideias das pessoas", elogia.

Amigos homenageiam Toledinho

O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) alega que Toledinho foi seu primeiro amigo. "Quando cheguei da França, em 1979, ele me recebeu muito bem e eu sequer falava português", relembra. Segundo Tobias, ele procurava ajudar qualquer pessoa, dentro ou fora da ITE.

O professor de direito da faculdade, Paulo Henrique Silva Godoy, por sua vez, reforça a imagem receptiva e solidária de Toledinho. "A relação com os professores era respeitosa. Ele tinha disposição de ajudar e incentivava o trabalho em equipe", elogia.

Já a diretora geral da ITE, Vera Casério, alega que Toledinho era contemporâneo de seu marido e costumava agregar a vida pessoal à profissional. "Há um ano, resolvemos retomar os trabalhos do coral da faculdade e fizemos uma apresentação só para ele. Com a música 'Paradise', Toledinho caiu em lágrimas, debruçado no busto do pai", relata.  

O diretor do Grupo Cidade, Renato Zaiden, era garoto quando conheceu Toledinho, já que ambas as famílias eram amigas. Posteriormente, os dois passaram a trabalhar juntos, na realização de diversos eventos. "Em 1985, organizamos o 1.º Festival de Canoagem e o 1.º Viva Bauru. Depois, trouxemos grandes nomes da música brasileira ao município, como Cazuza, Barão Vermelho e Paralamas do Sucesso", recorda.

Após uma parceria que resultou na realização de mais de 150 shows, Zaiden afirma, sem titubear, que Toledinho era marca registrada de Bauru. "Os amigos estão de luto e acredito que a cidade inteira tenha o mesmo sentimento, porque ele fez a diferença", finaliza.

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