Polícia

Garota de 12 anos tenta se matar e acusado de estupro é preso

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.
Cabo Hélio Duarte Jr.: "Ela estava desesperada e não parava de chorar, porque não queria que a família soubesse do estupro"

Cabisbaixa, de olhos perdidos e abraçada à mãe.Na delegacia, esse era o comportamento de uma garota
de 12 anos que tentou se matar
na manhã de ontem, dentro
da casa onde vivia com a família,
no Parque das Nações,
em Bauru. Ela denuncia que
foi estuprada pelo ex-padrasto
em, pelo menos, três ocasiões.

À reportagem, o acusado confessou
que passou as mãos nas
partes íntimas da vítima e foi
preso (leia mais ao lado). Os
nomes dos envolvidos não serão
divulgados, com o intuito
de preservar a menina, como
prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).Conforme o JC apurou junto à família da adolescente, ela, que foi diagnosticada com hiperatividade, vivia com a mãe e duas irmãs - uma de 15 anos e outra de 7. Ontem,a garota e a irmã caçula foram até um projeto social. Como a irmã de 15 anos estava na escola e a mãe, no trabalho, a menina optou por voltar para casa sem sequer ter entrado no local. Lá, pegou uma corda, momento em que foi surpreendida por uma prima.

Questionada sobre o motivo pelo qual segurava o objeto, a adolescente começou a chorar
e disse que havia sido estuprada pelo ex-padrasto, um montador de 55 anos. Apavorada, a vítima foi levada até a casa de parentes, na Vila Santista, de onde a PM foi acionada. Segundo o cabo Hélio Duarte Júnior, da 1.ª Companhia, a corporação foi até o trabalho do ex-padrasto da garota, no Distrito Industrial 2, e o conduziu, algemado, até a Central de
Polícia Judiciária (CPJ). “Ela estava desesperada e não parava de chorar, porque não
queria que a família soubesse do estupro.

A menina disse que vinha sofrendo ameaças de morte por parte do acusado”, relata o policial. O montador e a mãe da garota moraram juntos por cerca de dez anos e, há quatro meses, se separaram.

Porém, o homem frequentava a casa onde viveu com a ex-esposa, uma vez que os dois têm uma filha de 7 anos. À família, a vítima teria alegado que o acusado a estuprou, pela última vez, no dia 16 de setembro, quando ela ainda tinha 11 anos.

EXAMES E CONFISSÃO
Acompanhada da polícia, de uma prima e do pai biológico, a adolescente foi encaminhada
ao Pronto Atendimento Infantil (PAI), onde o médico legista realizou o exame de corpo de delito. Embora a vítima tenha dito que houve penetração,não foi constatado o rompimento de seu hímen. Além disso, o Conselho Tutelar esteve na unidade de saúde e convocou a mãe da garota a comparecer na sede do órgão, na próxima quarta-feira.

Em seguida, mãe e filha foram levadas à CPJ, onde prestaram depoimento. De acordo com o delegado plantonista Roberto Cabral Medeiros, a adolescente disse que o acusado “colocou o ‘pipi’ e os dedos” dentro de sua genitália. “Quando vivia com a família, ele esperava que todos dormissem e entrava no quarto da menina”, explica. Já o montador relatou, ao delegado, que esfregou o pênis nas partes íntimas da vítima.

Porém, negou que houve penetração. “Levando em consideração que o homem confessou
o crime, a vítima possui déficit de atenção e ela tentou suicídio, representei pela prisão
temporária do acusado”.

OUTRA VÍTIMA?
Segundo Medeiros, o homem não tinha passagens, Quando soube da denúncia, a mãe da adolescente passou mal e foi encaminhada ao PS Central. Já estabilizada, ela acompanhou a vítima até a delegacia,onde conversou com a reportagem. Segundo ela, o acusado ajudou a criar a menina. “Quando nos casamos, ela tinha apenas 2 anos e o considerava um segundo pai.Nunca percebi o monstro que ele era”, desabafa.‘Nunca percebi o monstro que ele era’. Na delegacia, o acusado confessou que passou as mãos nas partes íntimas de sua ex--enteada. “Não a estuprei, só acariciei. Foi um momento de fraqueza”, disse à
reportagem.

No início da noite de ontem, o juiz da 4.ª Vara Criminal de Bauru, Fábio Correia Bonini, determinou que o montador fosse preso, sob a acusação de estupro de vulnerável. Ele
seria encaminhado à Cadeia Pública de Barra Bonita.

 ‘Acariciei’

À família, a vítima teria revelado que o acusado a estuprou em três ocasiões, sendo que a

última foi no dia 16 de setembro deste ano contudo, surgiu a suspeita de que ele tenha abusado de outra adolescente, fato que será investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). O delegado observa, ainda, que o crime é previsto no artigo 217 A, incluído ao Código Penal em 2009. “Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor
de 14 anos é estupro de vulnerável”. A pena é de 8 a 15 anos de reclusão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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