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Bebê de mulher que contraiu zika tem alteração neurológica

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Alex Mita/JC Imagens
Fernando Monti afirma que, até o momento, a criança não apresenta qualquer atraso

A Secretaria Municipal de Saúde confirmou que um dos bebês cujas mães tiveram zika em Bauru nasceu com alteração neurológica, cuja origem ainda está sendo investigada. A possibilidade de se tratar de microcefalia, contudo, já está descartada. O caso também está sendo analisado pelo Ministério da Saúde.

A criança, do sexo masculino, tem quatro meses e está sendo acompanhada por profissionais da Sorri Bauru. Segundo o secretário de Saúde, Fernando Monti, a suspeita é de que ela tenha Síndrome de Morsier, também conhecida como displasia septo-óptica.

"Pode ser que esta malformação não tenha qualquer relação com a zika, já que ela pode ocorrer em outras circunstâncias, mesmo que a mãe não tenha ficado doente", frisa, destacando que o bebê não foi diagnosticado com zika. 

Por cautela, os outros três bebês gestados por mulheres que tiveram zika durante a gravidez em Bauru também estão recebendo atendimento na Sorri, já que alterações podem surgir em outros estágios de vida. "Mas, por enquanto, nenhum problema foi detectado", esclarece Monti.

Segundo ele, a alteração neurológica do primeiro bebê, que não teve a identidade revelada, foi detectada por meio de um exame de tomografia, que foi repetido para confirmar o diagnóstico. "Mas ninguém ainda sabe qual é o significado clínico desta alteração. Trata-se de um malformação de uma área do sistema nervoso central, com consequências no nervo óptico. Porém, não é possível dizer, ainda, que complicações ela pode acarretar para esta criança", frisa.

MONITORAMENTO

A literatura diz que a síndrome de Morsier - que recebeu este nome em referência ao especialista que a descreveu pela primeira vez, em 1956 - pode fazer com que crianças tenham perda de visão, deficiência intelectual e problemas hormonais. Em todo o mundo, um em cada 10 mil bebês nasce com a esta doença, que ocorre durante o desenvolvimento do embrião.

Ainda de acordo com Monti, até o momento, a criança que está sendo monitorada em Bauru não apresenta qualquer atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, embora, devido à localização da malformação, um oftalmologista já tenha adiantado que ela poderá apresentar problemas de visão no futuro. "Mandamos as imagens da tomografia para o Ministério da Saúde e esperamos que eles nos ajudem a decifrar esta situação", pontua.

MAIS CRIANÇAS

Dentro de seu sistema de vigilância, a Secretaria Municipal de Saúde também está monitorando duas crianças que nasceram com microcefalia e uma outra com macrocefalia. A pasta já solicitou a realização de exames para diagnosticar se as mães tiveram zika, embora elas não tenham manifestado qualquer sintoma da doença. Não há previsão para que os resultados sejam enviados pelo Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo.

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