Remexendo minhas anotações, achei uma crônica do meu amigo Jabbour, que fala sobre os encontros e reencontros. Na verdade, o assunto é tão contagiante que não me furto o desejo de revê-lo e extasiar-me com o seu conteúdo. Diz ele que encontrou-se com um amigo de infância que não via há mais de vinte anos. Pegando carona no que o Jabbour descreve, com a devida vênia, faço-o à minha maneira, que não deixa de ser verídica, razão pela qual a vontade de participar o acontecimento com os leitores deste excelente jornal torna-se quase que necessária.
Vejo meu antigo colega, e logo penso: "Meu Deus, como esse cara ficou velho e cheio de rugas?! Olhe só o cabelo! Tenta disfarçar, tingindo-o de preto, mas com essa cara, seria humanamente impossível que fosse daquela cor. Tornou-se ridículo!". Tudo isso passa por minha cabeça em frações de segundos. Nossa conversa começou ... Tipo: - "casou, tem filhos, trabalha com o que, aposentou-se?"
O papo foi esse, como não poderia deixar de ser. Por termos sido educados na mesma escola e em família de boa índole, não há dúvidas que o diálogo seguiu-se: - "como você está bem! Irradia boa jovialidade". É lógico que o outro sabe que tudo isso foi dito por mera educação, e responde: - "você também está muito bem. Sua aparência não aparenta a idade que temos". Dizia aquilo sabendo estar metindo. Sabia que sua idade e a do seu interlocutor eram as mesmas, pois estudaram juntos.
Já sem assunto e decepcionados conosco mesmo por termos sido covardes e mentirosos, despedimo-nos formalmente, com um rápido aperto de mão. Já no carro, atrás do volante, fico perguntando-me por que não sermos mais autênticos e sinceros um com o outro, tipo: - "pois é, amigo, envelhecemos e estamos aqui cheio de rugas e com as pernas cansadas!" Mas o que importa?... O que mais interessa é o que está dentro de nossas cabeças. Na verdade, fomos privilegiados por Deus, por conceder-nos todo esse tempo vivos! Vimos nossos filhos crescerem. Tivemos o privilégio de curtirmos nossos netos e podermos encaminhá-los para o lado do bem. Seguir-se-ia então um forte e caloroso abraço, daqueles que se pode ouvir o coração um do outro.
Amigo Jabbour: você disse mais coisas superinteressantes. Quem não leu, perdeu uma grande oportunidade de relembrar o passado, de coisas que poderíamos ter feito e não fizemos e que fizemos e não deveríamos ter feito. Você termina relembrando Mário Quintana: - "O tempo não para!"... Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo!