Política

Gazzetta fala em fim de filas de exames

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Facebook/Reprodução
Gazzetta deve anunciar Fogolin para o comando da Saúde em Bauru. Na foto, os dois conversavam com internautas sobre o plano de governo do então candidato para o setor

Em meio à escassez de recursos no Palácio das Cerejeiras, ainda mais aguda na área da Saúde, o prefeito eleito, Clodoaldo Gazzetta (PSD), deverá apresentar nesta quarta-feira (9) o novo modelo de gestão que pretende adotar para o mais sensível dos setores da administração pública. Ao Jornal da Cidade, ele adiantou que pretende pôr fim às filas de pacientes por exames de diagnóstico.

Trata-se de uma meta ousada. Hoje, a pactuação do Sistema Único de Saúde (SUS) define o governo estadual como responsável por esses serviços. Além disso, a complexidade do gargalo é tamanha que, mesmo com sentença do Tribunal de Justiça acolhendo ação civil pública que tinha como objetivo dar fim à demanda reprimida por exames, o Ministério Público (MP) preferiu não executá-la.

Como já noticiado pelo JC, o promotor Henrique Varonez tem conduzido força-tarefa que envolve o município, o Departamento Regional de Saúde (DRS) e a Famesp, a fim de, gradualmente, ampliar a oferta de exames e consultas especializadas.

Gazzetta, contudo, afirmou à reportagem que já apresentará, em coletiva convocada para as 11h de hoje, um cronograma de execução das ações que resultarão no fim das filas, que, dependendo do exame, chegam a durar anos.

O eleito disse que este é um dos nove eixos do novo modelo para a gestão da Saúde no município. Outro ponto destacado por ele é a inversão da lógica do sistema, que priorizará a atenção básica. “Os postos dos bairros serão a porta de entrada para a população”.

Gazzetta reiterou a necessidade de descentralizar as políticas públicas, a partir do mapeamento do perfil epidemiológico de cada um dos quatro territórios da cidade propostos por seu plano de governo.

APERTO

Por mais que aponte mudanças na gestão e a racionalização de despesas na Secretaria de Saúde, a falta de recursos mostra-se como o principal obstáculo para a concretização das ideias do prefeito eleito. Contratar exames para reduzir ou acabar com as filas, mesmo que por meio da Fundação Regional, como defendeu Gazzetta durante a campanha, exige dinheiro.

Até o fim do ano, a pasta já suspendeu a manutenção preventiva de viaturas, exceto pelas utilizadas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), como revelou reportagem do JC na última segunda-feira.

Em setembro, o secretário municipal Fernando Monti admitiu buraco de R$ 7,3 milhões entre a previsão de despesas e a expectativa de receita disponível até dezembro, quando chega ao fim a gestão do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).

O orçamento da Saúde para este ano foi aprovado em R$ 209 milhões, mas já chegou a quase R$ 218 milhões, frente a necessidade de R$ 225 milhões alegada pela pasta.

O prognóstico para 2017 é ainda mais preocupante: a Peça Orçamentária enviada pela atual gestão à Câmara Municipal estima receitas de R$ 210 milhões para a secretaria, que, em recente audiência pública, exibiu nota técnica informando a necessidade de revisão das programações para o próximo exercício por falta de dinheiro.

Diretor de Planejamento da Secretaria de Saúde, Pedro Pereira afirmou que, pela primeira vez, o volume de verbas projetado para o ano seguinte é nominalmente menor que o montante a ser executado até o fim do atual.

Virtual secretário

Ainda nesta quarta-feira (9), Clodoaldo Gazzetta deve confirmar o médico José Eduardo Fogolin como seu secretário de Saúde. Será o primeiro anúncio do primeiro escalão do futuro governo. O nome é apontado por pessoas próximas, mas não foi publicamente atestado pelo prefeito eleito até a noite dessa terça-feira (8).

Fogolin participou da elaboração do plano de governo de Gazzetta e atua como coordenador do Samu em Bauru, cargo que já havia ocupado antes de trabalhar por oito anos em Brasília. Nos ministérios da Educação e da Saúde, o virtual secretário dedicou-se ao planejamento de políticas públicas.

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