Tribuna do Leitor

Trump ganhou ou Hillary perdeu?

Maestro Alexei Lisounenko
| Tempo de leitura: 2 min

Vou reformular a pergunta. A democrata Hillary Clinton perdeu as eleições por ter colocado a segurança dos EUA em risco ao usar um servidor privado para trocar e-mails confidenciais quando ela era chefe da diplomacia do governo americano? Ou por causa do atentado no consulado dos EUA na Líbia em que morreram quatro americanos, onde ela foi acusada de ignorar os alertas de riscos do ataque? Ou será que foi a sua declaração de apoiar Israel contra os palestinos?

      

O risco de um confronto com a Rússia e o Oriente Médio por causa do seu compromisso de aliança com a Arábia Saudita e Israel para dividir a Síria? Uma possível futura Terceira Guerra Mundial? Por ela ser uma política tradicional?


Ou o republicano Donald Trump ganhou por ser o oposto, não ser um político tradicional? Por ser um empresário e não um idealista? Por ser radicalmente fora do padrão dos políticos estadunidenses? Por ele ter dito que construiria um muro separando os EUA do México e quem pagaria seriam os mexicanos? Foi o seu discurso prometendo expulsar os imigrantes ilegais e rever os acordos feitos por Obama que permite a moradia de milhares de imigrantes temporários? Por ele estar a favor de reconstruir a infraestrutura do país em vez de gastar dinheiro em guerras no estrangeiro?


As bolsas na Ásia despencaram logo após o resultado, o dólar já subiu, o governo mexicano está em colapso, o mundo está em expectativa. De candidato piada em 2015 a presidente eleito em 2016, a verdade é que Donald Trump é uma grande caixa-preta, não se sabe se ele é um personagem criado para ganhar a eleição ou se promoverá radicais reformas. Em seu primeiro discurso ele já mudou o tom radical dizendo que governará para todos, o que trouxe uma esperança de que não será tão extremo em seu governo.


Os EUA já não são o nosso maior parceiro econômico, por isso aqui no Brasil temos outras preocupações maiores. O governo precisa fazer o dever de casa recuperando a economia e o grau de investimento, criando empregos, investindo na formação de mão de obra qualificada, dando incentivos às empresas nacionais, para se tornar um país economicamente confiável e assim atrair o capital estrangeiro.

Voltando ao norte da América, apesar de Trump não ter ganhado com a maioria dos votos da população, lá quem elege são os delegados, fica a mensagem de que até os americanos querem uma mudança brusca na política. Fica a lição de que quando se quer e precisa de mudança o povo tende a cogitar as mais improváveis, inusitadas, e até radicais e extremas opções.


A minha leitura é que este inusitado resultado será visto nas nossas eleições de 2018. Não porque sejamos influenciados por ele, mas sim porque a mesma semente da insatisfação com a política que o povo americano cultivou, aqui já está sendo cultivada há muito mais tempo. “Make Brazil Great” (“Faça o Brasil Grande”), em referência ao mote de Trump “Make América Great Again” (“Faça a América grandiosa novamente”).

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