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O que é esquerda?

Luís César Alves Moreira Filho
| Tempo de leitura: 3 min

Para responder a pergunta é importante ao leitor ter conhecimento de duas obras de Habermas: Técnica e ciência como “ideologia” (1968) e Para a reconstrução do materialismo histórico (1976), sendo que ele faz parte da segunda geração da escola de Frankfurt, nesta exposição histórica hoje temos pessoas que se colocam como esquerda desde que combata a propriedade privada e o Estado.


Algo que não existe em Habermas, então ele deixaria de ser de esquerda? Não, pois perante a evolução do pensamento, esquerda é tida como pessoa progressista desde a Revolução Francesa quanto da coletividade, então utilizar a obra A ideologia alemã de Karl Marx que chama o Estado de ideologia burguesa confirma a pretensão de Marx e Engels do Socialismo Internacional, portanto os modelos econômicos tanto do capitalismo quanto do socialismo são internacionais dentro da esquerda marxista, ou seja, buscam a globalização (internacionalização) de um modelo social, que por sua vez, pertence a uma uniformidade natural.


Habermas não diz que a evolução ocorre através do trabalho dividido em modos de produção: o modo de produção primitivo, o escravista, o asiático, o feudal, o capitalista e o socialista, mas através da linguagem, pois trabalho sem interação inexistiria coletividade, por causa disso, a reconstrução do materialismo histórico está no desenvolvimento da consciência moral, sendo que o conceito para designar o eu, tanto como pessoa quanto indivíduo está no conceito de identidade do eu, o qual agrupa os problemas do desenvolvimento em três diferentes tradições: psicologia analítica, psicologia cognitiva do desenvolvimento e na teoria da ação definida pelo interacionismo simbólico.


Como a ciência não é solipsista, mas se aplica também ao coletivo, então a linguagem torna-se fator que permite a lógica do desenvolvimento, sendo que das três diferentes tradições científicas, a teoria do desenvolvimento da consciência moral de Kohlberg define os níveis sociais em: pré-convencional, convencional e pós-convencional, o qual se aplica ao gênero humano tanto individual quanto perante a coletividade, pois a pessoa decorre de um processo de socialização, por isso tais níveis estão presentes nas obras de Habermas como Para a reconstrução do materialismo histórico (1976) e na obra posterior Teoria da Ação comunicativa (1981).


Nesta obra Teoria da ação comunicativa (1981) ele aborda três temas: ação e racionalidade comunicativas, mundo da vida e sistema, por fim, patologias sociais da modernidade e da chamada colonização do mundo da vida, neste último ponto podemos encontrar a crítica habermasiana em relação aos problemas sociais como Karl Marx e outros da linha marxista fizeram, porém com base no intercâmbio entre os componentes comunicativamente estruturados do mundo da vida e funcionalmente organizados em sistemas no âmbito econômico e administrativo.


A esquerda não é a mesma, ela só se renova em busca do progresso, sendo que o processo de evolução cultural com base na linguagem evidência um problema que é a falta de uniformidade natural perante idiomas distintos para descrever o mesmo mundo objetivo, sendo que a teoria do desenvolvimento da consciência moral de Kohlberg respeita a uniformidade natural por se aplicar a todos independente do idioma que a pessoa utiliza.

O autor é mestre em filosofia contemporânea Unesp – Marília

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