Tribuna do Leitor

Cadê a

Thaisa Nogueira Marciano
| Tempo de leitura: 1 min

Viver tem sido cada vez mais desanimador. Como podemos imaginar que nossos filhos serão bons para o mundo e encontrarão em resposta um lugar agradável para viver se o humano é um ser mesquinho, egocêntrico e autodestrutivo? Difícil encontrar na natureza um animal como o homem. Ele apoia o convívio com os desiguais apenas quando tira proveito dessa relação.


No primeiro momento em que se encontra em uma posição confortável, o homem tenta aniquilar o seu igual, simplesmente por ele ter características diferentes – como cor da pele, região de nascimento, gênero, religião, orientação sexual. É até desesperador, em pleno 2016, presenciar tantas demonstrações de intolerância, racismo, ignorância. A humanidade está se destruindo e aparentemente quase ninguém está percebendo.


Como podemos aceitar que crianças negras ainda tenham que alisar os cabelos para serem aceitas, gays apanhem nas ruas, nordestinos sejam utilizados como adjetivos pejorativos, mulheres não assumam cargos de liderança, mães de santo sejam comparadas a forças do mal? Será que ninguém vê que essa diversidade é que nos faz melhor que os outros animais? As pessoas não entendem que o diferente é bom e deve ser respeitado e admirado?


Onde vamos parar? Bem, o resultado das eleições americanas foi um tapa na minha cara. Ele sinaliza em letras garrafais que o ser “humano” está cansado de ter humanidade e que o diferente deve ser banido. Agora só me resta encontrar um lugar para me esconder, torcendo que esse pesadelo passe e que novas Anne Franks não continuem a surgir dia após dia...

Comentários

Comentários