Esportes

Bernardinho projeta ciclo olímpico com várias seleções

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
“É um ciclo difícil, mas que o Brasil começa com uma base boa”, avalia o multicampeão Bernardinho

Bicampeão olímpico com a seleção brasileira masculina em 2004 e 2008, Bernardo Rezende, o Bernardinho, esteve em Bauru na última sexta-feira (11) comandando o Rexona/Rio de Janeiro contra o Genter/Vôlei Bauru no ginásio Panela de Pressão, pela Superliga 2016/17, com vitória da sua equipe por 3 sets a 1 sobre o time bauruense.

O treinador conversou com o JC sobre o futuro da seleção do Brasil, que ele comanda há 16 anos. Bernardinho chegou às quatro finais de Olimpíadas desde que assumiu a seleção, em 2001. Foi medalha de ouro em Atenas-2004 e neste ano, no Rio de Janeiro, e medalha de prata em Pequim-2008 e Londres 2012, além de inúmeros outros títulos, como Mundial, Sul-Americano, Copa do Mundo e Liga Mundial.

Para os próximos anos, ele acredita em muito equilíbrio entre as seleções do naipe masculino.”É um ciclo difícil, mas que o Brasil começa com uma base boa. Muitos dos nossos atletas atuaram nessas Olimpíadas do Rio, e vão estar na próxima (em Tóquio). Será um ciclo de muito equilíbrio, as grandes forças do voleibol vão estar com chances de ser medalha de ouro. O Brasil pode não ser favorito, mas é sempre competitivo”, acredita.

Para ele, os Jogos Olímpicos em casa, em agosto deste ano, marcou a modalidade de maneira positiva. “O legado que fica é a superação das adversidades. O time talvez nem era o grande favorito, e soube administrar o fato de jogar em casa, superou lesões, e cresceu ao longo das Olimpíadas. Estive em Araçatuba, aqui perto de Bauru, em uma palestra, e passando um pequeno vídeo com lances da final teve muita gente que se emocionou, porque hoje as pessoas torcem muito com a gente, viveram aquilo com o nosso time. Aquele jogo contra a França, ainda na primeira fase, foi uma final antecipada, e nós contamos com uma grande torcida do Brasil inteiro. Jogar em casa foi muito especial, a torcida nos apoiou demais”, relatou.

’Amuleto’

Para ele, a energia da torcida brasileira foi determinante. “As pessoas gostam muito da seleção, e a gente vê isso todo dia. No ano passado, quando viemos jogar aqui, teve um senhor que chegou em mim no dia da partida e me entregou um terço, desejando sorte nas Olimpíadas, apoiando o treinador da seleção. Claro, naquele momento ele estava torcendo para o time da cidade dele, Bauru, mas sempre torcendo pela seleção também. E isso foi em novembro, bem antes das Olimpíadas, e isso mostra o quanto as pessoas gostam do vôlei no Brasil. E é isso o que a gente leva no final da nossa carreira, esse carinho do público”, define.

Na sexta-feira passada, ele saiu com mais um presente em sua segunda passagem por Bauru. Garotos que treinam em uma escolinha de sua franquia, em Marília, estiveram na partida, e um deles deu um troféu de presente ao treinador.

“O pai dele me contou que o garoto tinha problemas na escola, poucas amizades. Hoje com o esporte ele está se socializando melhor, fez amizades, melhorou a qualidade de vida. É isso que fica do esporte”, disse Bernardinho, em tom de agradecimento.

Feminino

Se no masculino a seleção brasileira saiu com o ouro no Rio de Janeiro, no naipe feminino a equipe caiu nas quartas de final, contra a China, após passar invicta pela primeira fase.

Aos 22 anos, a ponteira Gabi, jogadora do Rexona/Rio de Janeiro e que esteve no elenco das Olimpíadas, diz que agora o foco é manter-se bem para um novo ciclo olímpico. “Não conseguimos vencer as Olimpíadas em casa, e agora começa um outro ciclo, já pensando em 2020. Eu quero fazer uma boa Superliga e ir bem em todas as competições”.

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