| Eric Ruiz Garcia |
![]() |
| O rapper paulistano Rashid é uma das atrações do show de encerramento da Semana do Hip Hop em Bauru: do rap de protesto ao romântico |
A cultura hip hop é a voz da periferia que ganhou o mundo e fala a todas as classes sociais com música de qualidade, dança e arte. Quem quiser conferir terá hoje, 15 de novembro, uma excelente oportunidade, a partir das 14h, no Parque Vitória Régia. O show gratuito marca o encerramento da 6ª Semana Municipal do Hip Hop de Bauru.
Além dos talentos locais e convidados, o evento recebe o rapper paulistano Rashid, em turnê do álbum "Coragem da Luz". Sucesso de crítica, o disco traz participações especiais de Mano Brown e Max de Castro; um dos clipes, conta com o aclamado rapper Criolo.
Aqui ele se apresenta acompanhado do backing vocal Godô e do DJ Mr. Brown. "Sempre ouvi falar da Semana do Hip Hop em Bauru, justamente por ser uma das maiores do país. Enfim chegou o convite e estou muito honrado por ter sido lembrado e apresentar nosso trabalho em um evento desse tamanho. A responsa é fazer um show da hora, com músicas do disco novo e as paradas mais antigas", antecipa Rashid.
Saiba mais sobre o músico no bate-papo com a reportagem do JC.
JC: Qual é a sua história e a origem do seu nome?
Rashid: "Tenho 28 anos, sou da Zona Norte de São Paulo e tenho quase 10 de carreira. Na verdade há oito anos me profissionalizei. Na época das batalhas (de rappers), o pessoal falava que eu parecia árabe, mas não tem nada a ver, só que acabei escolhendo Rashid. No Oriente médio é um nome comum que significa justo ou de fé verdadeira. Na África um povo usa esse nome, e no dialeto dele quer dizer guiado corretamente. Acredito que tem muito a ver com o que minha música quer passar".
JC: O que é ser rapper no Brasil?
Rashid: "Hoje a gente passa por um momento bem legal, é mais fácil, porque o rap está mais popular. No começo foi difícil, foram muitas batalhas de improviso, correr atrás de show de graça e levar muitos 'nãos'. Ainda mais para a minha geração, que leva a bandeira de transmitir uma mensagem de cunho social e racial na música. Não que a gente não faça outros tipos de som. A diferença é que antes aconteciam coisas pesadas que agora melhoraram".
JC: Que outras temáticas são mais abordadas?
Rashid: "Nossa fonte de inspiração é a vida em geral. A geração dos anos 90 ensinou isso e também aprendi muito ouvindo samba, como Adoniram Barbosa. São músicas que pegam pontos ingênuos da vida e transformam em poesia. O rap é isso: ritmo e poesia. Gosto de fazer com que meu som seja companheiro das pessoas. Se estão na fossa, de boa ou apaixonadas, tem música do Rashid pra ouvir. No disco mais recente, tem a questão racial e o relacionamento do jovem negro da periferia com a polícia, que não é nada fácil; músicas românticas, temas políticos, espirituais e coisas do dia a dia".
JC: Você enfrentou preconceito pelo estilo musical?
Rashid: "Muito. Ainda hoje muita gente não conhece, apesar de pesquisas mostrarem que o rap é a música mais consumida no mundo nas plataformas como Spotify. Tem um público enorme. Basta ver nos shows e entre seguidores do Criolo, Racionais, MV Bill e Emicida, entre outros. A gente enfrenta muita coisa pelas pessoas não terem a mente aberta e informação, pensarem que é música de bandido. Tem ainda quem escute e diga: 'que legal, nem parece rap'... Como assim? É ruim parecer rap? Quem nos inspirou foram os caras que faziam um rap pesado, porque refletiam uma realidade pesada".
JC: Que mensagem você deixa para quem está começando no rap?
Rashid: "A primeira coisa é se levar muito a sério. Quando você é novo e está envolvido em um movimento cultural, ainda mais se ele é marginalizado e muita gente associa ao crime por vir da periferia, quem está dentro do hip hop tem que se levar muito a sério e se valorizar, porque é ele quem vai passar segurança para seus familiares, amigos e o público. É aí que começa a mudança. Cada um que aparece com essa postura profissional, como o Projota e a Karol Conka, por exemplo, ajuda a mostrar para o mundo que o hip hop é uma cultura de transformação, que educa, inclui e muda a vida das pessoas".
Serviço
Encerramento da 6ª Semana Municipal do Hip Hop: shows com Rashid, Black Alien, DBS Gordão Chefe, Rota de Colisão, Crônica Mendes, Karol de Souza, Rubia Fraga RPW, GGF A Família e Ericson Carlos Silva, a partir das 14h, no Parque Vitória Régia. Realização: Secretaria Municipal de Cultura e Ponto de Cultura Acesso Hip Hop.
