| Mariana Bazo/Reuters |
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| Felipe Luis do Brasil em confronto com Perus Pedro Aquino e Aldo Corzo |
A seleção brasileira encerrou sua temporada no início da madrugada desta quarta-feira (16) fazendo o que se esperava dela. O time que não perde desde a chegada de Tite bateu o Peru por 2 a 0 em Lima, chegou aos 27 pontos nas Eliminatórias e praticamente garantiu sua vaga na Copa do Mundo de 2018. A vitória que calou o barulhento Estádio Nacional não veio com uma grande apresentação, mas foi merecida para uma seleção que, nos últimos cinco meses, aprendeu o caminho para a Rússia.
Brasil e Peru não se enfrentavam em Lima havia nove anos, e a presença da seleção de Neymar mobilizou o país andino. Teve torcedor que saiu dos mais diversos cantos do Peru só para ter a chance de chegar perto dos jogadores brasileiros - e tentar uma foto que invariavelmente não conseguiam. A partida da noite passada era assunto em bares, lojas, restaurantes e a cada praça da capital. E tamanho interesse, claro, teria seu clímax no Estádio Nacional.
A torcida que lotou a arena tentou fazer do jogo um espetáculo efervescente, mas em campo o que se viu foi uma partida muito mais de intenções do que de chances claras de gol. Havia muita vontade do lado peruano, mas faltava qualidade - a ponto de o torcedor se contentar em vibrar com divididas, passes certos ou mesmo uma recuperada de bola junto à lateral.
A seleção de Tite foi mais criativa, mas também careceu de objetividade. Havia um toque de magia em lances de Neymar - ele arrancou um suspiro coletivo da torcida quando deu um passe por cobertura com a lateral do pé no primeiro tempo -, mas também havia uma cordilheira intransponível de peruanos à frente da área. Chegar ao gol de Gallese era uma tarefa difícil.
O Brasil só encaminhou a vitória quando a seleção passou a fazer o que Tite vive insistindo a cada entrevista. "O jogo coletivo potencializa as individualidades", ensina o treinador. No segundo tempo, o Brasil passou a atacar coletivamente. Renato Augusto, em determinado momento, parecia um daqueles antigos ponteiros-direitos.
| Guadalupe Prado/Reuters |
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| Gabriel Jesus marca o primeiro gol do Brasil aos 12 minutos do segundo tempo, marcado com facilidade, como se marcasse um pênalti |
Neymar não se importava em voltar até a defesa para ajudar a marcar e começar lá de trás a construir as jogadas ofensivas. Gabriel Jesus se movimentava de um lado a outro e obrigava Christian Ramos, sua sombra no jogo, a fazer o mesmo. E Philippe Coutinho era a alavanca que fazia essa engrenagem funcionar.
Partiu do meia do Liverpool as melhores jogadas da partida. Foi ele quem arrancou em desabalada velocidade no lance que abriu a contagem, em gol de Gabriel Jesus. A atuação do jogador foi tão destacada que Coutinho foi aplaudido pelos peruanos quando, cansado, foi substituído por Tite. Renato Augusto, após assistência do atacante do Palmeiras, definiu o placar.
FICHA TÉCNICA:
PERU 0 x 2 BRASIL
PERU - Gallese; Corzo (Advíncula), Christian Ramos, Alberto Rodríguez e Nilson Loyola; Pedro Aquino, Yotún, Carrillo (Ruidíaz), Cueva e Andy Polo (Sánchez); Paolo Guerrero. Técnico: Ricardo Gareca.
BRASIL - Alisson; Daniel Alves, Marquinhos, Miranda e Filipe Luís; Fernandinho, Paulinho e Renato Augusto; Philippe Coutinho (Douglas Costa), Gabriel Jesus (Willian) e Neymar. Técnico: Tite.
GOLS - Gabriel Jesus, aos 12, e Renato Augusto, aos 33 minutos do segundo tempo.
CARTÕES AMARELOS - Nilson Loyola, Cueva e Renato Augusto.
ÁRBITRO - Wilmar Roldán (Colômbia).
RENDA E PÚBLICO - Não disponíveis.
LOCAL - Estádio Nacional, em Lima (Peru).
Com 6 vitórias seguidas, seleção só volta a campo em março
Após derrotar o Peru no início da madrugada desta quarta-feira (16), em Lima, o Brasil agora só voltará a campo no final de março, para os jogos com o Uruguai, em Montevidéu, e Paraguai, em casa, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Depois disso, a seleção ficará cinco meses sem compromissos oficiais, período em que o técnico Tite finalmente poderá comandar a equipe em amistosos.
Apesar de ainda não haver nenhuma confirmação por parte da CBF, a tendência é que a seleção dispute três amistosos no período. Dois deles seriam disputados na Rússia no período que antecede a Copa das Confederações, competição que o Brasil não irá disputar pela primeira vez desde que foi criada, em 1997. O outro confronto seria na Oceania.
Tite assumiu a seleção em junho e, devido aos Jogos Olímpicos, não conseguiu realizar nenhuma partida preparatória. O treinador teve sua prova de fogo logo na estreia, quando foi ao Equador enfrentar os donos da casa pelas Eliminatórias. O Brasil venceu por 3 a 0 e, a partir daí, emendou seis vitórias consecutivas.
Apesar do bom desempenho, o técnico da seleção nunca escondeu a intenção de realizar jogos amistosos. Quando assumiu, foi mais longe e chegou a dizer que preferia que essas partidas fossem realizadas em casa. Ao menos esse desejo não deverá se confirmar no próximo ano. Isso porque os jogos da seleção são organizados por uma empresa estrangeira, que paga uma cota fixa à CBF e tem o direito de mandar os jogos onde bem entender. Preocupada em faturar, ainda mais agora com o Brasil novamente em alta, ela deve realizar todas as partidas longe do País.

