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Justiça lenta gera impunidade

Carlos Pinto
| Tempo de leitura: 2 min

As recentes eleições municipais nos deram um panorama do desalento e da total desconfiança da sociedade brasileira em relação aos partidos e políticos em geral. Altos índices de abstenção, de votos nulos e brancos, são a prova cabal do distanciamento dos eleitores. Urge uma reforma política que estabeleça novas diretrizes, inclusive com a diminuição de partidos e a dos componentes do Congresso Nacional. Está muito dispendioso sustentar as mordomias dos mais de 500 deputados federais e oitenta e tantos senadores.

Além disso, a reforma do Judiciário se faz urgente, tendo como finalidade principal acabar com a morosidade de alguns tribunais, notadamente o STF. A composição destes tribunais também deve ser revista, e suas composições devem ser feitas através de concurso público, e não mais, por nomeação do executivo. Da forma como está hoje, os nomeados ficam devendo favores a quem os nomeia, e daí a sociedade fica diante desse impasse atual, onde ministros do STF atuam para atrasar o andamento de processos contra políticos investigados em vários processos de corrupção.

A proliferação de recursos precisa ser revista, pois só favorecem os réus condenados por práticas pouco republicanas. Um exemplo disso é o que ocorre com o senador Calheiros, cujas ações provenientes de vários anos atrás, onde por força dos ilícitos cometidos, foi obrigado a renunciar ao mandato. Até hoje tais ações continuam no âmbito do STF aguardando uma decisão final, que poderá advir por decurso de prazo. Com isto, o ínclito parlamentar vai se safar de mais uma condenação.

Existem muitos destes exemplos nos vários tribunais do país, o que só acelera na sociedade, o sentimento de impunidade. Se fosse um ladrão de galinhas, em seis meses teria sua sentença determinada, mas como se trata de autoridade, vão postergando a solução que a sociedade espera. E como os processos do senador das Alagoas, existem centenas onde os réus são políticos com ou sem mandato, que desfrutam de bons advogados para safá-los de seus crimes.

Por outro lado, temos um governo que vem acelerando um processo de reformas financeiras, onde só os assalariados são punidos, pelos crimes cometidos por essa casta enraizada em Brasília. Cortar os gastos com saúde e educação, é um crime contra o povo, quando se observa a farra dos aumentos salariais dos membros do judiciário e outros poderes da República.

São tempos sombrios, onde o eleitor precisa ter mais consciência na hora de votar, e deixar de eleger um bando de pilantras que só estão pensando em benesses para seus apaniguados. Este último pleito municipal produziu a eleição de alguns prefeitos cujo passado está eivado de contradições e maracutaias. Razão pela qual devemos nos movimentar com a finalidade de pôr um fim nesse tal de foro privilegiado. Afinal de contas, pela Constituição Brasileira não somos todos iguais perante a lei?

O autor é jornalista

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