Tribuna do Leitor

Tuas medalhas pregadas em peito de bronze

Professor Lucas Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Com seus variados feriados cívicos, a república fantasmagórica das bananeiras comemorou, nesse quinze de novembro, outro de seus aloprados golpes de estado. Em 1889, o velho Marechal Deodoro proclamou, com o auxílio de militares e da elite cafeeira, a república do "você sabe com quem está falando?" e institucionalizou, para as seguintes relações políticas, o famoso "jeitinho brasileiro" de lidar com a realidade. Infelizmente, o que enaltece a vaidade do nosso povo é a impávida segurança de que tenhamos "heróis", mesmo já estando mortos e eternizados em monumentos de bronze.

Estes heróis também ganharam seus feriados cívicos - um dia de descanso a mais onde podemos refletir o pouco que sabemos sobre cada um deles. Normalmente, quem promove um golpe o denomina, pelas vias legais, de "revolução" - ou impeachment. O grande feito revolucionário do movimento republicano, no Brasil, foi de repartir o poder entre os tiranos coronéis, dando ascensão a uma media burguesia passiva que se tornou, oficialmente, massa de manobra para tantos outros golpes - que, aliás, o próprio Marechal tentou dar novamente em 1891, tendo que renunciar à presidência por pressão da Revolta da Armada. Os sucessivos golpes de estado (1930, 1937, 1945, 1964 e 2016) se tornaram eventos comuns e corriqueiros na história do Brasil contemporâneo.

Será que no futuro nossos descendentes transformarão o primeiro de Abril de 1964 (data do último golpe militar) em mais um dia de homenagens? Será que nas escolas, os professores - se ainda existirem - ensinarão nossas crianças a respeito da real, cruel e sangrenta história brasileira ou continuarão a serem omissos, em razão da opressão covarde causada pelo sistema?

Tomara que, no futuro, nosso povo não seja mais comprado por feriados semanais ou pelo apego cego aos frios monumentos erigidos em louvor aos antigos carrascos - como a estátua mal feita do Borba Gato, em São Paulo. Que tenhamos em mente, caros leitores, que os maus heróis vieram bem antes dos bons e que os piores ainda hão de vir. Cuidado!

O passado, e seus heróis de metal, sempre servirão de exemplo para os futuros ditadores. Um "viva" às nossas saudosas e mentirosas referências.

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