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| Nelson Sargento, 92 anos, e outros nomes da velha guarda integram documentário que registra a história dos sambistas |
O sambista Nelson Sargento tem 92 anos. Ele é só um pouco mais novo do que o próprio samba, que celebra o seu centenário neste ano. Por esse motivo, Sargento, junto de Nei Lopes, Monarco, Walter Alfaiate (morto em 2010) e outros nomes da velha guarda são considerados os “Guardiões do Samba”, título dado pelos cineastas franceses Eric e Marc Belhassen para um documentário que registra a história desses sambistas. As filmagens renderam tão boas gravações musicais que a produção acabou virando também um CD e um DVD, já à venda.
“Esse gênero foi ganhando outras vertentes ao longo dos anos, como o pagode e o samba-canção. Então, o samba de raiz está cada vez mais difícil de ser visto. As pessoas estão começando a esquecer os clássicos”, conta o diretor Eric Belhassen.
Ele afirma que, por esse motivo, decidiu criar rodas de samba que reunissem os bambas cantando e tocando essas canções. “O nosso diretor musical, Henrique Cazes, organizou todo um roteiro de como seriam as rodas e quais seriam as canções apresentadas. Gravamos tudo com alta qualidade”, completa.
As rodas de samba serviram de cenário para que os diretores ouvissem as histórias por trás de cada canção e registrassem a experiência de vida desses mestres. Convidados mais jovens, como Teresa Cristina, Pedro Miranda, Moacyr Luz e Cristina Buarque, também participaram.
A princípio, nem havia um CD. Só o documentário estava em projeto. “Só havíamos pensado no filme, mas, ao ficar pronto, várias canções acabaram de fora. Quando a gravadora viu a qualidade da gravação e a importância do repertório, disse que não poderíamos simplesmente jogar isso fora. Então, registramos em CD, que vem junto com o DVD. São clássicos gravados ao vivo. É muito importante para o samba hoje ter um documento desses”, conta Belhassen.
Diferentes escolas
Com o trabalho duplo, o CD e o DVD reúnem canções de sambistas de diferentes escolas, cantando e tocando. “Já sabemos que eles são amigos e que não há rivalidade entre as escolas, mas não é tão simples reuni-los em um único lugar. Cada um acaba frequentando a própria quadra. Foi assustador ver Nelson Sargento começando a cantar, enquanto Monarco e Walter do Alfaiate já o acompanhavam”, relata o diretor, lembrando das filmagens. Além da gravação das rodas, o documentário ouviu relatos de Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Gilberto Gil e outros convidados especiais.
