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Sífilis congênita não para de crescer em Bauru e preocupa

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam que os casos de sífilis congênita (bebês que pegam das mães) não param de crescer em Bauru. O percentual vem aumentando desde 2010, quando a cidade teve nove registros. Até outubro deste ano, a pasta identificou 114 infectados, nove a mais do que 2015 inteiro.

A epidemia desponta também em outras frentes: a sífilis em gestantes saltou de 84 em 2014 para 107 em 2015. Nos 10 primeiros meses deste ano, já são 81 casos. Já a sífilis em adulto foi de 413 em 2014 para 535 no ano passado. Até outubro deste ano, 407 pessoas foram diagnosticadas com a doença (veja quadro acima).

Sífilis é um doença sexualmente transmissível que causa lesões no pênis e na vagina, chamadas cancro, que podem ocorrer na cabeça do pênis ou nos lábios vaginais ou colo do útero. Sua bactéria é capaz de atravessar a barreira placentária e infeccionar o feto, fazendo com que a criança tenha a sífilis congênita.

Secretário municipal de Saúde, Fernando Monti explica que o aumento desses casos em Bauru se deve à intensificação dos exames. "A vigilância ativa aumentou. Os testes nas gestantes durante o pré-natal e nas grávidas que dão entrada na maternidade passaram a ser feitos com mais frequência. Por isso, é possível identificar maior número de infectados".

O trabalho mais contundente na busca por diagnóstico, diz Monti, foi impulsionado após alerta feito pelo Ministério da Saúde no mês passado, que desencadeou campanha nacional para mostrar a importância da detecção e do tratamento da doença durante o pré-natal, uma vez que o País vive, atualmente, uma epidemia de sífilis.

Diretor da Divisão de Vigilância Epidemiológica do município, Ezequiel Santos concorda que a qualidade da notificação melhorou após mobilização do governo, mas ressalta que, em Bauru, já vinham sendo desenvolvidas ações com os postos de saúde desde 2012. "São dados cursos, palestras. Há algum tempo, tem ocorrido mais critério para notificar", informa.

Outra fator determinante no aumento de casos de sífilis congênita se deve ao recente acesso ao teste rápido, acrescenta Santos. "Antes, não tinha na rede de saúde básica. Na maternidade havia, mas de uma forma bem restrita. Depois que o governo implantou o teste rápido em todos os serviços de saúde, ficou mais acessível e melhorou as notificações", diz. 

VULNERABILIDADE

Fernando Monti destaca que os casos de sífilis estão mais concentrados nas populações de maior vulnerabilidade, especialmente moradores de rua e usuários de drogas. Para o secretário, a multiplicidade de parceiros e a diminuição do uso de preservativos ainda são as principais causas da epidemia. "Esses são os grandes desafios a serem vencidos", finaliza.

Ezequiel Santos destaca que o passo, agora, é melhorar ainda mais a qualidade do acompanhamento e do tratamento no pré-natal. "Para que as crianças não nasçam com sífilis", explica. 

"Outra coisa: sexo seguro é muito importante. Assim como aceitar o tratamento, pois tem gente que tem medo de tomar o medicamento (penicilina). Existe, ainda, a questão do marido, que não quer acompanhar a mulher no pré-natal e acaba não sendo tratado", ressalta Santos.

Penicilina

A sífilis é uma doença silenciosa que pode demorar mais de 10 anos para “dar as caras”. O tratamento é feito à base de penicilina benzatina, que estava em falta em Bauru. Conforme o JC divulgou em junho de 2015, o município precisou “racionar” o medicamento, garantindo tratamento apenas para as gestantes.

A situação, porém, foi regularizada em março desde ano, garante Ezequiel Santos. “A prioridade ainda são as mulheres grávidas, mas temos conseguido tratar adultos e crianças também. Em Bauru, gasta-se em torno de 2 mil ampolas por ano com a sífilis”, discrimina.

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