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Em presídio, Cabral chora e divide cela

Estadão Conteúdo
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Dono de uma cozinha equipada ao custo de R$ 43 mil, conforme registros da operação Calicute, e acostumado a restaurantes mais requintados, o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) esteve diante de um cardápio pouco refinado. As refeições servidas ontem na Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, para onde foi levado depois de preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira, 17, foram café com leite e pão com manteiga no café da manhã; arroz com feijão e picadinho no almoço e jantar.
Ao ser preso pela PF, Cabral chorou. Chegou abatido, mas resignado, ao Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste, no início da noite de quinta-feira. Na Cadeia Pública José Frederico Marques, inaugurada por ele em março de 2011, teve os cabelos cortados, recebeu camiseta verde, calça azul e chinelos. De lá, seguiu para a Pedrolino Werling de Oliveira, conhecida como Cadeia Vip por causa dos seus últimos inquilinos.
Passaram por ali banqueiros como Salvatore Cacciola e André Esteves, Carlinhos Cachoeira, os milicianos Jerônimo Guimarães, o Jerominho (ex-vereador) e Natalino Guimarães (ex-deputado), e Nelson Nahin, irmão do ex-governador Anthony Garotinho - condenado em esquema de exploração sexual de menores e liberado em outubro, por habeas corpus. Os presos costumam receber alimentação de fora do presídio. Já houve denúncias de que estariam recebendo de lagosta a bacalhau.
A unidade tem 154 vagas, e 130 estão ocupadas. As celas estão divididas das galerias de A a G. Nas galerias A e B ficam os presos por não pagarem a pensão alimentícia. De C a G ficam os detentos com nível superior. Cabral está numa cela de 16 metros quadrados, com três beliches de alvenaria, com colchonetes, na Galeria F. A cela tem ainda o "boi", sanitário no chão, e chuveiro sem água quente.
Segundo informações de agentes penitenciários, a Galeria F, usada anteriormente para triagem dos detentos que chegam à noite, foi separada para os presos da Calicute e recebeu uma rápida arrumação, na tarde de quinta-feira. A SEAP negou.
Companhias
O ex-governador tem a companhia de seu ex-secretário de Obras, Hudson Braga, apontado como operador financeiro do esquema de propinas; de Paulo Fernando Magalhães Pinto, amigo próximo e suspeito de atuar como "laranja" de Cabral; de Carlos Emanuel Miranda, ex-assessor e sócio de Cabral na empresa SCF Comunicação. Casado com uma prima de Cabral, é apontado como "grande coletor do dinheiro", de acordo com a denúncia do Ministério Público Federal.
Estão na mesma cela ainda José Orlando Rabelo, ex-assessor de Hudson Braga, e Luiz Paulo Reis, apontado como operador financeiro do esquema.
Alex Sardinha da Veiga, suspeito de atuar para fechar os acordos ilícitos, Carlos Bezerra, amigo de Cabral, apontado como operador, e Wagner Jordão, acusado de movimentar as propinas pagas a Hudson Braga, não têm curso superior e ficaram na Cadeia Pública José Frederico Marques.
Os presos têm direito a tomar banho de sol, têm acesso a um pátio de visitantes com cobertura, além de setor de psicologia, ambulatório médico e odontológico, além de salas para defensoria pública.
Nesta sexta-feira, os presos não receberam visitas, informou a SEAP. As famílias vão ter de se cadastrar para receber a carteirinha que dá acesso à unidade. Esse documento leva de 30 a 40 dias para ficar pronto.
Com a internação de Anthony Garotinho (PR) no fim da noite de quinta-feira em um hospital penal no Complexo de Gericinó, o Rio de Janeiro teve, por algumas horas, dois ex-governadores presos no sistema penitenciário de Bangu. Nesta sexta à noite, uma decisão do TSE determinou que fique em um hospital público ou privado fora do sistema penitenciário.

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