Política

Testes em estacas da ETE foram tardios, diz Sidnei Rodrigues

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Marcelo Agustinho
Trabalhos na estação continuam, mas instalação de estacas está suspensa há quase um mês e caso pode virar ‘novela’

O secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, confirmou nessa sexta-feira (18) que ao menos parte dos ensaios de provas de carga deveria ter sido executada no início do processo de instalação das estacas raiz que darão sustentação à estrutura da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE).

Como revelou nessa sexta (18) o JC, das 2 mil estacas previstas, metade já foi cravada. O problema é que em 80% dos testes realizados os resultados não foram satisfatórios. Agora, a Prefeitura de Bauru aguarda posicionamento da Arcadis Logos, multinacional que comprou a Etep, empresa responsável pelo projeto executivo da obra, em busca de soluções de engenharia para sanar os problemas identificados nos testes.

O aparente insucesso da colocação das estacas motivou a suspensão desta frente de serviços na construção da ETE desde o dia 25 de outubro, o que pode, mais uma vez, atrasar o cronograma de trabalhos. A construção deveria ter sido concluída em setembro deste ano. O prazo, contudo, já foi adiado para dezembro de 2017.

Diante deste novo impasse, a reportagem entrevistou o engenheiro Eric Fabris, especialista na área, que reiterou a anormalidade deste tipo de problemas na fase de fundações de obras, pontuando que, normalmente, os primeiros testes de carga se dão na fase inicial da instalação das estacas.

O objetivo do procedimento é identificar eventuais dificuldades antes que a maior parte das estacas seja cravada, justamente para minimizar os possíveis impactos de custo na adequação do projeto. O município, por exemplo, ainda não sabe exatamente o quanto a mais terá que gastar para corrigir o que já foi feito e evitar novos erros na instalação do que ainda falta.

RESPONSABILIDADE?

Questionado sobre o “timing” desses testes, Sidnei Rodrigues confirmou que os cinco foram realizados depois que as primeiras mil estacas já haviam sido colocadas e atribuiu a falha à COM Engenharia, responsável pela construção da estação e contratação das provas, exigidas para atestar a garantia das obras.

Dependendo do desfecho do impasse, o secretário cogita multar a empresa por ter demorado a providenciar as provas. O contrato estipula penalidade de 0,1% sobre o valor da obra em casos de desrespeito a normas técnicas.

Novelão

Originalmente, a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) deveria ter ficado pronta em setembro desse ano. O atraso nos trabalhos fez, no entanto, com que o prazo final fosse estendido para dezembro de 2017.

Até agora, R$ 19.523.504,72 em serviços foram executados no canteiro. O consórcio gerenciador das obras, SGS-Enger/JHE, apontou que mais R$ 24.696.350,78 já poderiam ter saído do papel. Metade do atraso foi de responsabilidade da própria construtora, a COM Engenharia.

O custo total da ETE, passível de novos aumentos, já saltou de R$ 129.229.676,00 para R$ 138.948.360,00, em decorrência de reajuste e aditivo já autorizados pela Prefeitura.

O governo federal se comprometeu a pagar R$ 118 milhões na obra. Todo o restante deverá ser custeado com recursos do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE), pago todos os meses pelo contribuinte bauruense junto às contas de consumo de água e coleta de esgoto.

Retorno após a reportagem

Depois da publicação da reportagem dessa sexta-feira (18) no Jornal da Cidade, a Arcadis Logos entrou em contato com o secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, chamando-o para uma reunião na próxima terça-feira (22).

Na ocasião, a empresa dará para o município o retorno a outro problema identificado no projeto executivo da ETE. Neste caso, a respeito do tanque de equalização. Sidnei conta que aguardava esse respaldo desde o mês de setembro, o que implicou na paralisação de outra frente da obra.

A projetista sinalizou que também já concluiu o estudo apontando as alternativas para sanear o impasse em torno das estacas. As mudanças no projeto, no entanto, foram remetidas aos técnicos da antiga Etep, que elaborou o estudo detalhado para a viabilização da estação de esgoto, antes de ser incorporada pela multinacional.

O projeto executivo foi contratado pelo DAE por R$ 1,9 milhão. O secretário de Obras disse, na edição dessa sexta-feira (18), que sua equipe elabora relatório apontando uma série de deficiências identificadas no trabalho. A intenção é oferecer subsídios para que a autarquia tome eventuais providências jurídicas contra a Etep/Arcadis Logos.

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