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A mágica casa da árvore que brotou da miséria

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 2 min

Qual criança nunca sonhou em ter uma casa na árvore? Aquele lugarzinho para as reuniões secretas com os amigos, para brincar de "casinha", para simular um forte a ser invadido pelos inimigos... para criar toda e qualquer história e dar asas à imaginação. As crianças da favela do Jardim Europa ganharam tal espaço há alguns meses. Dizem que o astral da comunidade tão sofrida mudou bastante desde então.

Publicada ontem no JC, a reportagem - bastante humana e sensível - da Marcele Tonelli contava um pouco dessa história. Uma moradora do local, a Fuá, juntou o pouco que tinha (em pleno século 21, ela vive em um barraco que não tem sequer esgoto tratado) e construiu a casa na árvore de presente para o neto.

Como as outras crianças do bairro ficaram encantadas, ela resolveu abrir o espaço para os pequenos. Fuá compartilhou a esperança! Compartilhar: ação que é bastante encontrada entre pessoas que quase nada têm e, justamente por isso, sabem da importância desse verbo tão pouco praticado em dias cada vez mais solidificados no individualismo.

230 famílias sobrevivem na região do Jardim Europa por meio de programas sociais. O que essas pessoas têm de lazer? Só uma quadra poliesportiva. Mas tem previsão de construir mais alguma coisa, né? Não. Nadinha. A prefeitura já avisou que não tem grana até o fim do atual mandato. O orçamento apertado do ano que vem (leia mais na página ao lado) também não dá muitas esperanças. Desesperança compartilhada! Compartilhada entre crianças, adultos e idosos que caíram em uma das tantas lacunas do poder público.

Muitos acreditam que nada brota em solo pobre. Estão errados. Da miséria que rega o chão batido da favela do Jardim Europa, brotou uma bela árvore. E ela veio com uma casa ainda por cima.

Com a tão peculiar imaginação das crianças, o local foi batizado singelamente de "Mundo Mágico"! Não haveria nome melhor. Tem que ser mágico para viver tão à margem da sociedade e ainda tirar um sorriso da cartola. Tem que ser mágico para, dia após dia, escalar a árvore e, lá de cima, da janela da casinha, enxergar uma saída dessa enorme lacuna do poder público. Tem que ser mágico! E, enquanto nada muda, tomara que a mágica Fuá ensine sua magia a todos: que nada mais é do que compartilhar um pouquinho de esperança.

 

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