São Paulo - Manifestantes favoráveis ao pacote de medidas elaboradas pelo Ministério Público Federal para o combate à corrupção se reuniram em frente à sede da Fiesp, na avenida Paulista, na tarde de ontem.
O ato foi convocado pelo movimento Vem Pra Rua, que organizava no começo do ano manifestações pedindo o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT). "O povo estava ansioso pra vir para a rua de novo", afirma o líder do Vem Pra Rua, Rogério Chequer.
Em fala sobre o palco montado na frente da Fiesp, uma das principais apoiadoras dos movimentos pró-impeachment, ele discursou a favor do pacote de medidas, que disse estar sob ameaça, e elogiou a equipe da Operação Lava Jato. "Os políticos estão desesperados, estão topando qualquer coisa. Eles não têm mais medo de não se reeleger, têm medo de ir pra cadeia", afirmou.
Segundo ele, o movimento chegou a receber ameaças por defender a aprovação das medidas, que tiveram o apoio de cerca de dois milhões de eleitores.
Na rua, manifestantes com camisas do Brasil e cartazes de apoio à Lava Jato ou com dizeres como "Fora Renan (Calheiros, presidente do Senado)" gritavam "Lula na cadeia" e "Moro, Moro!". Foi inflado o "Pixuleko", boneco que retrata o ex-presidente Lula com roupas de presidiário, marca dos atos anti-Dilma.
CONFUSÃO
Também na avenida, em frente ao Masp, se reuniam manifestantes que participavam das comemorações do Dia da Consciência Negra. Traziam broches com os dizeres "Fora, Temer" e camisetas de movimentos de esquerda. Alguns trajavam camisetas do Partido dos Trabalhadores.
Houve um princípio de confusão entre os dois grupos quando manifestantes do Vem Pra Rua se aproximaram do prédio do museu. A polícia formou um cordão separando os dois atos.
"Nós reservamos esse espaço há mais de três meses", afirmou o jornalista Marcos Cordeiro, um dos organizadores da 13ª Marcha da Consciencia Negra. "Eles vieram como provocação."
Chequer rebateu, afirmando que o ato dos movimentos negros estaria marcado para a parte da manhã. "Eles se recusaram a sair", disse.
A reportagem não constatou a presença ostensiva de policiais na manifestação do Vem Pra Rua, que contou, segundo Chequer, com cerca de 10 mil pessoas.
Cerca de cinco viaturas da Força Tática da Polícia Militar acompanhavam a marcha dos militantes do movimento negro.
MOVIMENTO NEGRO
Antes do encontro na paulista, houve a inauguração da estátua de Zumbi dos Palmares, em frente à BM&F, no Largo do Café, centro de São Paulo. Na presença do Secretário Municipal da Secretaria de Igualdade Racial Maurício Pestana e de entidades religiosas do Candomblé e Umbanda.