Geral

'A hora é da arquitetura e decoração'

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Camila Klein não segue tendências; ela se inspira no que as pessoas vestem para projetar ou decorar um ambiente

Mesmo diante da instabilidade econômica, o mercado de arquitetura e decoração conseguiu se manter e, agora, vive em um bom momento. Quem faz tal avaliação é a arquiteta Camila Klein, grande referência na área, com mais de 120 mil seguidores nas redes sociais. Ela participou do 1.º Simpósio Arquitetura A - Talentos em Intercâmbio, evento realizado ontem em Bauru e que teve apoio do JC.

Um dos motivos do aquecimento do setor é a expansão de imóveis de alto padrão. O município também segue essa tendência, já que receberá, em breve, grandes condomínios. "Logo, as pessoas já estão confiantes para o próximo ano", constata a arquiteta.

Além disso, Camila afirma que ninguém quer perder negócio e os fornecedores acabam reduzindo os preços. "Outro ponto importante é o de que as pessoas deixaram de fazer grandes viagens para investir no seu cotidiano, na sua casa, no seu conforto, porque, querendo ou não, um momento de crise mexe com o psicológico de qualquer um", acrescenta.

A arquiteta se formou na Unisinos, no Rio Grande do Sul, e se mudou para São Paulo em 2005. Lá, ela começou a trabalhar no escritório de Ruy Otahke, filho da artista plástica Tomie Otahke. Após dois anos, montou seu próprio negócio que, hoje, conta com mais de 20 colaboradores e realiza 30 projetos de uma só vez.

Recentemente, Camila participou da segunda temporada do Arquitetura A, um reality show idealizado pelo Canal da Ilha, uma produtora de vídeo bauruense. O episódio irá ao ar no dia 30 de dezembro, às 14h, no Youtube.

Ontem, ela palestrou em um simpósio promovido pela mesma produtora, com apoio do Jornal da Cidade, no auditório do Senai, em Bauru. O evento contou com a participação de estudantes de arquitetura e empresários do setor. Antes, Camila conversou com a reportagem.

JC: Como driblou a crise econômica?

Camila: Conseguimos nos reinventar e desenvolver novos produtos, como o Packing, que exige um investimento máximo de R$ 20 mil para decorar um ambiente. Nesse valor, estão inclusos mobiliários, acessórios, tapetes, almofadas etc. Criamos um conceito e não podemos extrapolar esse investimento. O bacana é que toda a montagem ocorre em apenas um dia. 

JC: Qual será a tendência da arquitetura e decoração para 2017?

Camila: Não gosto muito de seguir tendências, mas me inspiro no que as pessoas vestem para decorar um ambiente. Consigo projetar a decoração da residência de um cliente de acordo com a forma que ele se veste. O bom profissional é aquele que consegue chegar a esse perfil. O arquiteto também tem de ser psicólogo, às vezes. Além disso, os tons mais dourados - pelo menos, nos meus projetos - estarão com bastante força daqui para a frente.

JC: Um exemplo...

Camila: Acabamentos em laca (madeira) fosca, que é pintada com ouro envelhecido. Dá para fazer armários, perfis de cadeiras e tampos de mesas. São detalhes pontuais que saem das molduras dos quadros e vão diretamente para uma casa. Porém, também vale para estabelecimentos comerciais, uma vez que estes estão cada vez mais semelhantes às residências. Os escritórios acabam sendo uma extensão das casas, ou seja, têm de ser confortáveis.

Comentários

Comentários