Após o balanço-defesa feito no último dia 12/11 pelo atual secretário da Saúde, não pude deixar de aqui colocar um fato que pode servir de norte e alerta ao próximo secretário. Muito tem a ver com a Lei da Responsabilidade Fiscal, atrás da qual se escondem muitos gestores e com as verbas do SUS, mas a meu ver muito poderia fazer o município. Penso que este tipo de acontecimento na rede pública de saúde, entre outros, pode explicar a "lavada" que tomou o candidato do prefeito na última eleição, uma derrocada vergonhosa para o grupo que administra a cidade há dois mandatos. Também me explica por que o candidato médico perdeu (mesmo com aliados "fortes"). O povo disse: "é hora de mudar, não acreditamos mais em vocês quando falam de saúde". O que relato é de conhecimento geral e quase toda semana tem algo na mídia. Pois bem, nosso pai tem 86 anos de idade e uma saúde precária de um ano para cá.
UPAs -Várias vezes recorremos às UPAs e em todas elas, que foram 3, tivemos que fornecer lençol, cobertor, fralda e travesseiro porque o UPA não tinha. Noutra vez precisaram dar alta na correria porque a UPA seria fechado no dia seguinte; não teria médicos para atender. Alguém explicou que não há como contratar médicos e que os contratados não podem fazer hora extra. Aí fica uma loucura, pacientes são transferidos para outros UPAs, outros tem alta mesmo que seja para voltar na segunda-feira e o UPA fecha. É um procedimento sistemático e programado e de uma improdutividade exuberante, não dá para acreditar que os que planejam este sistema sejam técnicos.
Pronto-Socorro - Pensando que o Pronto-Socorro Central pudesse ser uma alternativa melhor, para lá levamos o velho. Ele ficou dentro do carro das 18h45 até 19h30 porque não havia maca disponível. A primeira instrução foi nem fazer o cadastro de entrada e levá-lo a um UPA, não podiam recebê-lo porque não tinha maca. Aí presenciei fatos dignos de choro: chegou uma ambulância do Samu, desceu o paciente e como não tinha maca não havia como alojar o azarado e o Samu ficou sem a maca, a dele ficou "presa" no atendimento do PS com o paciente em cima. O motorista optou por voltar à base sem a maca, condição que torna uma viatura especial e uma equipe altamente especializada totalmente inoperante. Não dá para trabalhar sem maca, eu os vi no dia seguinte virem buscar. Com tanta gente pra socorrer, podemos nos dar ao luxo de manter uma situação destas? Pensam que acabou? Na sequência, chega uma viatura da Via Rondon ou Cart, não me recordo bem, e acontece a mesma coisa; a maca deles fica "presa" e eles também se retiram. Pensei: nossa, que coisa absurda. Mas não acabou ainda. Chega em seguida uma ambulância de serviço particular e também "perde" a maca. Eles não foram embora e somente às 21h tiveram sua maca liberada. Aquela noite passamos com 15 pacientes em macas e camas no corredor, a maioria com acompanhantes sentados nas cadeiras que encontravam. Se você deixasse a sua por 5 minutos, não a encontrava mais. Cadeiras de aço, destas tipo bar, outras que têm uma tela recoberta por uma manta estofada, mas a manta não existe e a pessoa senta na grade a noite toda como acompanhante. Pensei: esta aqui a prefeitura pegou lá no descarte do Ecoponto. Ainda nem falei da espera de vagas porque alegam que não é problema da prefeitura e sim do Estado ou sei lá de quem. Agora, esta questão das macas é demais. Várias das macas eram do PA Infantil e estavam etiquetadas. Quanto será que custa uma maca? A prefeitura não tem dinheiro para comprar 10 (dez) macas e colocar lá porque vai complicar o prefeito na Lei da Responsabilidade? Duas geladeiras industriais desligadas, pintura, portas, sanitários sem privacidade, sem maçaneta, uma porta da Sala de Emergência chegou a cair, coisas simples; uma equipe de 4 pessoas durante 15 dias tornaria aquilo "um céu" perto do que é. Uma zona de guerra em que sofrimento é imposto aos que dependem do nosso sistema de saúde, além do que os motivou a ir até lá. São humilhados pelo que lhes é oferecido. Eu convido o sr. prefeito Rodrigo Agostinho, o ex-candidato Renato Purini, o sr. secretário da Saúde, médico dr. José Fernando Monti, o novo prefeito, sr. Clodoaldo Gazzetta, dr. José Eduardo Fogolin (futuro secretário) e o nosso deputado estadual médico dr. Pedro Tobias (que ocupa o cargo desde 1998, amigo do governador) a visitarem o PS à noite, em dias alternados. Se não tiverem tempo, pode ser durante o dia mesmo, aliás, convido não; desafio.
Claro que este protesto será ignorado, é mais fácil, assim não chama atenção e se, porventura, alguém questionar certamente será para manipular o contraditório. Mas não me preocupo. Sei que funcionários não falam porque são tão vitimas como os usuários, mas eu sei o que vi, o que vivi e o que registrei e uso da verdade. Aliás, cabe aqui um elogio à equipe médica e a enfermagem: como trabalham, tentam suprir as falhas do sistema com o bom atendimento e o carinho; a vocês, o meu muito obrigado. Mas lembrem-se, srs. políticos, são estes talvez 90% da população menos favorecida que votam nos senhores, mas tão acostumados com o sofrimento que já estão sem forças para reclamar e pedir caridade e humanidade de quem se propõe a fazer. Não é possível que vai ser assim para sempre. Meu pai sempre repetia a máxima: "O boi não sabe a força que tem". Percebam que já está mudando.