O Jornal da Cidade, em reportagem da última sexta-feira, dia 18/11, nos escancarou a lamentável situação em que se encontram os serviços na Estação de Tratamento de Esgotos (ETE), obra que se pretendia ser a "coroa da rainha" dos oito anos da administração Rodrigo Agostinho: "As estacas cravadas para sustentar a obra não foram aprovadas em 80% dos ensaios das provas de cargas". Isto é o resultado do desprezo que esta administração dispensou à classe tecnológica de nossa cidade, colocando pessoas inadequadas em cargos essencialmente técnicos como Secretaria de Obras e DAE, apesar dos inúmeros reclamos de nossa parte, quando presidente da Assenag.
É inadmissível não existir um cronograma de realização de ensaios físicos laboratoriais nas estacas acompanhando a velocidade com que as mesmas eram implantadas. Tal acompanhamento é indispensável e corriqueiro em qualquer outra obra. Não dá para engolir receber esta notícia após a implantação de 1.000 estacas! Vejam bem, não se trata de 50, 60 ou até 100 implantações. Foram 1.000! Parem para pensar! Volto a afirmar: inadmissível é o termo exato para esta aberração.
Agora todos se preocupam em "tirar da reta", buscando culpar esta ou aquela entidade, empresa ou profissionais que teriam cometido os erros, tentando tapar o sol com a peneira para a total incompetência dos agentes públicos diretamente envolvidos, quais sejam o senhor prefeito (advogado e ambientalista), o secretário de Obras (químico, gestor de meio ambiente) e o presidente do DAE (advogado). Notem, nenhum engenheiro à frente da maior obra de tratamento de esgoto do Interior do estado!
Como cidadão bauruense nato, não posso me calar diante de mais esta aberração que nos causará enormes prejuízos, e conclamo o Ministério Público a averiguar as responsabilidades e exigir dos implicados as explicações que se fazem necessárias. As mazelas não podem ser simplesmente esquecidas, sem a devida responsabilização e ressarcimento aos cofres públicos... Espero, sinceramente, a atuação destas autoridades no caso em questão. A proximidade do final de mandato não pode servir como "salvo conduto" para tantas ações indevidas e prejudiciais à nossa cidade.